4 de maio de 2014

Crónica Saturnina: a hesitação de afirmação do Galatasaray SK

   Um dos projetos das periferias europeias com mais expectativas depositadas no início da presente temporada por parte da imprensa desportiva era o do Galatasaray SK, um clube turco que tinha dado nas vistas na época transata após vencer inapelavelmente o campeonato nacional e de morder os calcanhares ao Real Madrid CF, na altura treinado por José Mourinho, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Com um plantel bem apetrechado de vastas soluções e alicerçado com elementos com traquejo continental e com um técnico de nacionalidade turca e já um profundo conhecedor da realidade deste emblema (Fatih Terim), tudo parecia indicar para um sucesso interno sem grande contestação e para voos europeus de maior travessia. Contudo, apesar da 5ª Supertaça Turca conquistada, Terim acumulou resultados negativos internos e uma goleada em casa precisamente diante do Real Madrid a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões ditou a chicotada por parte da direção. O sucessor foi nada mais nada menos que o italiano Roberto Mancini, que, após uma campanha relativamente bem-sucedida ao leme do Manchester City, foi o escolhido para levar o Galatasaray aos objetivos propostos.

   Ainda com Fatih Terim ao leme da equipa otomana, o Galatasaray garantiu a contratação de alguns elementos com vasta experiência europeia como Felipe Melo, Aurelien Chejdou e Umut Bulut mas, já com Mancini, esse leque foi alargado através de jogadores como Izet Hajrovic ou Koray Günter, sendo reembolsado através de empréstimos de outros com um rendimento abaixo do esperado, como o português Bruma (maior investimento da época, 10M proveniente do Sporting CP) e como o camaronês Dany Nounkeu. A chegada de Mancini a 30 de setembro trouxe uma renovada confiança à equipa mas nunca conseguiu os resultados esperados na Liga (o Fenerbahçe já mantinha uma vantagem interessante sobre o 2º posto). 13 vitórias, 1 empate e 4 derrotas foi o melhor conseguido pelo italiano, que, mesmo após 3 meses internamente invencível e de manter um registo de apenas vitórias no seu terreno até à humilhante derrota por 0-4 diante do Kasimpasa, ainda não consegue cumprir com as expectativas internas e externas e sobrando apenas a Taça para poder acrescentar ao seu palmarés (jogará esta quarta-feira diante do Eskisehirspor).  Na componente internacional, a formação turca conseguiu ultrapassar a fase de grupos, eliminando a Juventus após um jogo disputado à tarde num terreno bastante danificado climatericamente, mas caiu perante o Chelsea após empatar em casa a 1 e uma derrota em Stamford Bridge por 2-0, não garantindo, assim, a meia-final que permitiria a Mancini arrecadar 7 milhões de euros como firmava uma das cláusulas expostas no seu contrato.

   O plantel, como apontado acima, apresenta uma mescla de elementos oriundos do país turco e de outros com vasta experiência nas principais ligas europeias e as nuances táticas presentes representam um 4x4x2 com muito pendor de posse de bola, com uma construção apoiada e paciente assente na maturidade dos seus jogadores e com uma linha defensiva que ocupa espaços adiantados no terreno e que utiliza um sistema de pressão alta. Na baliza, encontra-se o guardião titular da seleção uruguaia Fernando Muslera, um dos elementos preponderantes da equipa, com a solução de banco a ser o jovem promissor de 1,97m Eray Iscan. A linha defensiva conta com dois experientes laterais em Hakan Balta e Emmanuel Eboué e com dois centrais de créditos firmados em Semih Kaya e Aurelien Chedjou, alicerçados em duas outras soluções de banco em Dany Nounkeu , o jovem potencial Koray Gunter e Gokhan Zan que oferecem suficientes garantias a Mancini. O setor intermédio é constituído por dois futebolistas mais fixos e de transmissão de equilíbrio à equipa que costumam ser Felipe Melo e Selçuk Inan (Yekta Kurtulus é um recurso a recorrer em caso de ausência) e outros dois que ofensivamente causam mais apoquentações às defesas oponentes em Sabri Sarioglu e Wesley Sneijder (Izet Hajrovic e Emre Çolak afirmam-se como duas soluções de futuro). O ataque tem armas letais e profícuas de nacionalidade turca (Umut Bulut e Burak Yilmaz possuem faros de golo bastante reforçados) e consolidadas pela grande figura internacional da equipa que é o costa-marfinense Didier Drogba, que permanece com atração magnética à baliza.

   Apesar de todos os atributos reconhecidos a esta formação do Galatasaray SK e da presença na final da taça na próxima quarta, esta equipa turca desapontou interna e externamente tendo em conta a qualidade dos recursos ao dispor de um treinador experiente internacionalmente e com um vasto palmarés na sua bagagem, pelo que o projeto mostrou algumas debilidades e não conseguiu arrecadar o bicampeonato nacional e garante apenas a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões pela punição efetuada ao Fenerbahçe por duas épocas que determina a ausência deste clube das competições europeias. Tudo aponta para que a falta de know-how do técnico em relação ao futebol turco e a carência de tempo para que a equipa assimile os métodos pretendidos pelo italiano sejam as causas deste fracasso, pelo que a próxima época pode atenuar estes efeitos.

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / redditmedia.com /uefa.com

3 de maio de 2014

Futebol Global: Frank de Boer, o devorador da Eredivisie (análise de 15 a 30 de abril)

Reflexão: A temporada 2013/14 chega este fim-de-semana ao seu término na Holanda, depois da coroação do AFC Ajax como tetracampeão da Eredivisie. Com a melhor defesa do campeonato (vinte e seis golos sofridos) e apenas três derrotas, a formação oriunda de Amesterdão dominou o campeonato, ocupando a primeira posição somente desde a jornada dezoito. Um título que permite reforçar cada vez mais a liderança no número de ligas conquistadas (trinta e três, contra vinte e uma do PSV Eindhoven e catorze do Feyenoord). Além disso, Frank de Boer conquista pelo quarto ano consecutivo esta competição como treinador principal dos "De Ajacieden". Olhando para as taças, o AFC Ajax conquistou igualmente a Holland Supercup em julho passado, ao bater o AZ Alkmaar por 3-2 após prolongamento. Pior sorte teve na KNVB-beker, uma vez que perdeu de forma copiosa a final frente ao modesto PEC Zwolle por 5-1. Em baixo segue-se uma análise detalhada às principais formações do país das tulipas. 

19 de abril de 2014

Crónica Saturnina: A consistência do LOSC Lille


   A crise económica europeia já não se torna novidade nenhuma, afetando vários desportos e, com a forte presença dos “petrodólares” a surgir no panorama futebolístico, a França não se tornou imune a este fenómeno com o forte investimento em clubes como o Paris Saint-Germain e o AS Monaco. Porém, nem todos os clubes gauleses enveredaram por esta opção e escolheram o reforço do plantel com jogadores do escalão principal francês por um custo acessível, aliando a isto uma forte aposta na formação destas equipas. Uma delas foi a campeã da Ligue One da temporada 2011/2012 e que prima pela consistência, tendo acedido à Liga dos Campeões por duas épocas consecutivas e estando próxima de uma terceira presença. Apesar da saída do talentoso treinador francês Rudi Garcia para a AS Roma, o LOSC Lille conseguiu mostrar sinais de que é uma estrutura bem consolidada ao contratar o experiente técnico René Girard (que deu o inédito título a um clube com moldes similares a este Lille, o Montpellier HSC) e de estar perto de garantir a qualificação para o playoff de acesso à fase de grupos da “liga dos milionários”, após ter militado no 2º posto que permite a qualificação direta para esta eliminatória e estar agora numa série mais titubeante de resultados. Contudo, a formação do Lille demonstra bem um exemplo de uma equipa que permanece a obter resultados com uma aposta em recursos mais modestos mas não menos eficazes nesta nova era dos fortes investimentos monetários na modalidade.

   Com a necessidade de venda de algumas peças fulcrais do plantel para conseguir um saldo financeiro positivo (à volta de 25 milhões de euros), o investimento empreendido foi de baixo valor, com especiais ênfases no ingresso de jogadores provenientes de um período de empréstimo encetado pela equipa francesa e com aposta na formação. Com os objetivos bem delineados (garantia de um lugar europeu e fazer o melhor possível nas taças), o treinador contratado e o plantel à disposição permitiam tal concretização. Com um rendimento abaixo do esperado nas taças (eliminação na Taça diante do Stade Rennais e na Taça da Liga contra o AJ Auxerre), o objetivo do campeonato foi cada vez mais consolidado e exibido no desempenho mostrado. O período inicial não foi o mais interessante com 3 vitórias em 6 jogos a concederem o 9º lugar à equipa de Lille. Ainda assim, o melhor foi mostrado nas 11 partidas que se seguiram (9 êxitos) que levaram esta formação ao 2º lugar e a aspirar a algo mais que um mero posto europeu mas 4 derrotas nos 8 jogos que se seguiram relegaram-na para o 3º lugar, onde permanecem após uma fase mais positiva de três vitórias consecutivas nestas últimas 3 disputas, detendo uma vantagem interessante sobre o 4º posicionado Saint-Etiénne e destacando-se pela consistência demonstrada neste último período.

   O plantel conta com uma mescla de elementos experientes e de alguns jovens emergentes, apostando René Girard na vertente experiente do plantel para alavancar os futebolistas mais tenros a incorporarem as rotinas e dinâmicas de um coletivo, desvalorizando mais o âmbito individual. Apostando numa formação teoricamente 4x3x3 mas, em prática, mais similar a um 4x2x3x1, o treinador tem à sua disposição o virtuoso guarda-redes da seleção nigeriana Vincent Enyeama, de 31 anos, que se encontra de pedra e cal na defesa das redes gaulesas, sendo os seus suplentes também maduros (Steeve Elana de 33 e Barel Mouko de 35 anos). A linha defensiva é normalmente composta pela desenvolvida dupla de centrais de dois internacionais pelos seus países, sendo eles o montenegrino Marko Basa e o reforço dinamarquês Simon Kjaer, e pelos laterais com grande verticalidade e pendor ofensivo Franck Béria e o senegalês Pape Souaré. O meio-campo dispõe de muita experiência e normalmente dispõe de dois elementos mais recuados com Rio Mavuba e Florent Balmont a assumirem essas funções pois, com menor disponibilidade física, ainda podem dar um contributo de uma forma menos física mas não de menor pertinência. A dinâmica de jogo deste Lille passa muito normalmente pelo futebolista com mais minutos por esta equipa que é o senegalês Idrissa Gueye, naturalmente cobiçado por clubes com maior projeção e poderio, com Jonathan Delaplace, Marvin Martin e um dos projetos da formação do clube Soualiho Mëite a firmarem-se como opções válidas para estas funções do miolo. Num contexto mais ofensivo, patenteia-se a presença regular do médio ofensivo Ronny Rodelin e dos três melhores marcadores desta formação: a indiscutível estrela da equipa e costa-marfinense Salomon Kalou (14 tentos), Nolan Roux (8) e a promessa belga Divock Origi (5); com outros valores de qualidade a poderem colmatar a ausência destas individualidades, como o cabo-verdiano Ryan Mendes e o costa-riquenho John Jairo Ruíz.

   Conclui-se que o LOSC Lille é um dos projetos sustentados de um futebol emergente, que é o francês, que sempre se exibiu pela consistência na presença em fase de grupos de competições europeias mas sem lograr muitas eliminatórias de vulto, com a exceção das participações do Olympique de Lyon. Com o surgimento de clubes alvo de um forte investimento dos “petrodólares” orientais, o futebol gaulês ganhou outra notoriedade e o LOSC Lille foi uma das agradáveis surpresas ao vencer o campeonato na época de 2011/2012 e de manter a consistência da sua presença nos lugares cimeiros da Ligue 1. Com um plantel interessante e que fornece variados recursos em termos de experiência e de irreverência sustentada, a equipa do Lille permanece na elite do futebol francês após passar algumas épocas nos lugares tranquilos do meio da tabela, afirmando-se de forma veemente no presente como um sólido emblema pertencente a um futebol em claro crescimento. 

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / nordsports-mag.com / media.rtl.fr

14 de abril de 2014

Mundial 2014: Grupo C

Calendário de Jogos:

Jornada 1: 14 de junho
Colômbia vs Grécia (13h00 - Belo Horizonte)
Costa do Marfim vs Japão (22h00 - Recife)

Jornada 2: 19 de junho
Colômbia vs Costa do Marfim (13h00 - Brasília)
Japão vs Grécia (19h00 - Natal)

Jornada 3: 24 de junho
Japão vs Colômbia (16h00 - Cuiabá)
Grécia vs Costa do Marfim (17h00 - Fortaleza)

Nota: os horários apresentados correspondem ao horário do início das partidas nas diferentes cidades brasileiras.

12 de abril de 2014

Crónica Saturnina: A recessão do Bayer 04 Leverkusen


   A Bundesliga sofreu uma rápida ascensão no panorama europeu na presente década com a regularidade de presenças de equipas alemãs nas fases adiantadas das competições europeias e com alguns dos melhores futebolistas da atualidade a ingressarem em emblemas germânicos, com maior pendor para Bayern de Munique e Borussia de Dortmund. Contudo, outros clubes como Werder Bremen ou Stuttgart perderam bastante fulgor face aos primeiramente mencionados, estando num momento de crise desportiva, sem conseguir ombrear com esses emblemas e lutam por objetivos bem menos auspiciosos (permanência ou um playoff de acesso à Liga Europa). Contudo, existe um caso peculiar de um clube com presença consistente em provas europeias e nos lugares cimeiros do campeonato mas que apenas apresenta 3 troféus no seu palmarés e com o último a ser conquistado há… 21 épocas (Supertaça Alemã). Sem qualquer campeonato no mesmo, o Bayer 04 Leverkusen, treinado pelo finlandês Sami Hyypiä… até ao passado dia 5 de abril, onde foi demitido para dar lugar ao técnico da época passada Sascha Lewandowski; apresenta (mais) uma estranha particularidade exibida na presente época: apenas uma vitória nos últimos 9 encontros para a Bundesliga cavam um fosso ainda maior entre os lugares que classificam diretamente para a fase de grupos da Liga dos Campeões, obrigando a disputa de um playoff para sucessiva qualificação. Este Leverkusen apresenta um número de derrotas (11) que é elevado face aos objetivos pretendidos e é ameaçado por Wolfsburg e Mainz na manutenção do posto europeu que conduziria a formação de Sascha Lewandowski à Liga Europa.

   Com algumas saídas comprometedoras (a estrela da equipa André Schürrle foi transferido para o Chelsea e os defesas Michal Kadlec deslocou-se para o Fenerbahçe e Andre Carvajal para o Real Madrid), os alemães reforçaram-se especialmente internamente com as contratações de, entre outros, Robbie Kruse ao Fortuna Dusseldorf ou de Emre Can ao Bayern de Munique. Os primeiros três meses revelaram-se prometedores (apenas duas derrotas em deslocações teoricamente difíceis a Manchester (2-4) e a Gelsenkirchen (0-2)).  Contudo, a fase conturbada viria a partir da viragem do ano. Mesmo mantendo um lugar no trio da frente da Bundesliga e passar em segundo lugar a fase de grupos da Liga dos Campeões que disputava com os ingleses do Manchester United, os espanhóis da Real Sociedad e os ucranianos do Shakhtar de Donetsk, três derrotas diante de Eintracht de Frankfurt, Freiburg e Werder Bremen pronunciavam um 2014 desastroso. Somando apenas 3 vitórias em 14 partidas disputadas neste período (englobando eliminações na Taça interna e na Liga dos Campeões, diante de uma equipa do segundo escalão do Kaiserslautern e dos franceses do Paris Saint-Germain respetivamente), esses êxitos foram conquistados perante formações como o Stuttgart, o Borussia Monchengladbach (que destronou depois a formação de Leverkusen do 4º posto) e o FC Augsburg.

   A anomalia exposta por esta equipa não é resultante da ausência de qualidade do plantel, que demonstrou já, bem no início da temporada, que possuía argumentos para se debater pelos postos condutores à fase de grupos da Liga dos Campeões. Enveredando normalmente por um sistema tático 4x3x3 e seguindo a filosofia da maioria dos clubes compatriotas, o Bayer aposta em elementos jovens e com nacionalidade alemã, abrindo algumas exceções. Na baliza pontifica o titularíssimo Bernd Leno, alemão proveniente da mais recente fornada de jovens guardiões germânicos que transmitem bastante segurança e agilidade. A linha defensiva que se posiciona à frente do guarda-redes é maioritariamente estrangeira e constituída por uma dupla de centrais (o bósnio Emir Spahic e o turco Omer Toprak) com os laterais a serem o polaco Sebastian Boenisch e o turco naturalizado alemão Emre Can, sendo uma que exibe virtudes como a coesão e solidariedade intra-elementos e que não se atreve em larga escala na dinâmica ofensiva, à exceção do último mencionado que contribui na construção ofensiva tendo em conta a sua posição de origem. O miolo possui dois jogadores de propensão ofensiva e de construção dinâmica de processos e outro de estanque defensivo e participando na primeira fase de construção, sendo esta mais paciente e trabalhada. Sendo uma função talhada para um jogador experiente, é comummente ocupada pelo alemão Simon Rolfes, um dos elementos com mais temporadas de casa e sendo um símbolo do clube. As restantes missões ficam encarregues de dois jovens alemães  com grande predisposição física e virtuosismo, sendo eles Lars Bender e Sidney Sam (dos melhores marcadores da equipa com 12 golos e que já assinou contrato com o Schalke 04 por 4 épocas, passando a representar o clube de Gelsenkirchen na próxima época) e com outras soluções de grande valia no banco de suplentes, sendo eles os frutos da formação Gonzalo Castro (também ele já um ícone da massa associativa), Stefan Reinartz e Jens Hegeler. O ataque, que se organiza com dois flanqueadores e um avançado referência, conta com duas estrelas de seleções da confederação AFC, sendo eles os alas sul-coreano Son Heung-min (uma das grandes esperanças do futebol asiático e vindo a confirmar todo o potencial preconizado pela imprensa com 10 golos) e o australiano Robbie Kruse; já o ponta-de-lança é o internacional alemão Stefan Kiessling, que, com 30 anos e 14 golos somados, se assume como a grande estrela da equipa e como o “menino bonito” da massa adepta e que, temporada após temporada, é fortemente seduzido por outros clubes europeus mas com a direção do clube a conseguir fazê-lo permanecer.

   Com um plantel que dá bastantes garantias para a prossecução dos objetivos propostos no início da época, o rendimento apresentado neste ano civil não correspondeu às expectativas e as razões são várias, passando pela inconsistência e juventude do técnico finlandês até inícios do presente mês que não conseguiu encontrar soluções para o estado letárgico em que a formação subitamente se encontrou e, tendo em conta a relativa idade precoce da generalidade do plantel, uma sucessão de maus resultados fez o Bayer 04 Leverkusen entrar numa recessão ainda maior e numa crise de resultados com uma componente mental bem saliente. Com uma vitória nos últimos 9 encontros relativos à Bundesliga, exige-se à equipa e ao técnico da transata temporada que reabilite os níveis anímicos da formação germânica de modo a garantir, pelo menos, um posto europeu. 

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / enelareachica.com / media.zenfs.com

9 de abril de 2014

Sporting CP: Que futuro?

Depois de uma temporada em que predominou o fracasso e que será, para sempre, recordada como a pior da história do clube, antevia-se uma época modesta, de restruturação e de um crescimento que permitisse sonhar com a glória nacional, nos próximos anos. Contudo, um conjunto de jovens talentos, um presidente inteligente e, sobretudo, um fantástico treinador, que tornou um simples desconhecido como era William Carvalho num médio defensivo de classe mundial, catapultaram as ambições do clube para patamares, até há bem pouco tempo atrás, irrealistas.

29 de março de 2014

Crónica Saturnina: O despertar do Athletic Club de Bilbao

   A La Liga é talvez a competição europeia interna que apresenta maior qualidade individual na forma do Real Madrid e Barcelona, as duas coletividades que regularmente ocupam os dois primeiros postos desta liga (o Atlético de Madrid despoletou este ano e baralhou um pouco as contas na luta pelo top3). Contudo, o bom desempenho ibérico não se cinge a estes três clubes e alargou-se a equipas como Sevilha (duas Ligas Europa) e o tema deste artigo: o momento da equipa do Athletic Club de Bilbao, que logrou a final da competição atrás referida com Marcelo Bielsa no comando técnico e, após um 12º lugar na época transata que ditou a saída deste técnico argentino, a direção do clube basco apostou num homem espanhol e num velho conhecido deste emblema (já o treinou entre 2003 e 2005), de nome Ernesto Valverde. Apesar de algumas saídas de figuras proeminentes do plantel (o avançado e melhor marcador da equipa Fernando Llorente para a Juventus FC e o defesa venezuelano Fernando Amorebieta para o Fulham FC). Um clube que se destaca pela sua particular identidade de ser composta exclusivamente por elementos nascidos na zona da Navarra ou com formação no clube de Bilbao, o Athletic apresenta-se num 4º posto na La Liga, que lhe permite, desafogadamente (6  pontos de vantagem sobre o 5º Sevilha), sonhar com uma presença na fase de grupos no novo modelo da Liga dos Campeões (exigindo-se apenas passar um playoff de admissão e, mesmo sendo eliminado, garante a presença na fase de grupos da Liga Europa). O que se segue é uma análise detalhada à época deste peculiar clube e do respetivo plantel.

   Investindo 15 milhões de euros, o Athletic apostou sobretudo em reforçar-se com elementos nativos da Navarra que dispunham de alguma experiência na La Liga, complementando-os com os mais recentes produtos da cantera basca e os objetivos consistiam num registo digno na Copa del Rey e na obtenção da tranquilidade na La Liga e, consequentemente, pensar num lugar europeu.  Todavia, a tranquilidade foi encontrada mais cedo que o previsto após um “annus horribilis” e o posto que permitia a qualificação europeia foi sendo mantida ao longo da temporada, cavando uma diferença considerável face às restantes equipas à procura do playoff da Liga dos Campeões. Três vitórias, um empate e três derrotas a iniciar a temporada permitiram um seguro 6º posto (sendo todas as derrotas fora) e prometiam algo diferente da pretérita época, acabando as expectativas por serem cumpridas. De seguida, a equipa de Ernesto Valverde conseguiu alcançar o 4º lugar com cinco vitórias, dois empates e uma derrota (diante do carrasco dos quartos-de-final da Copa del Rey e líder do campeonato Atlético de Madrid). Com alguns resultados mais inconsistentes (empate fora diante do concorrente direto Sevilha, vitória por 2-1 face ao Rayo Vallecano e derrota fora contra o europeu Real Sociedad), o real poder do caudal ofensivo basco estava para ser demonstrado com três vitórias consecutivas por números largos (6-1 contra o Almería e 4-2 contra o Real Valladolid e, na deslocação a Pamplona, 5-1 diante do Osasuna). Contudo, mais recentemente, apenas duas vitórias em nove encontros sobressaltam os adeptos do clube da Navarra, que podem beneficiar da presença do Sevilha nos quartos-de-final da Liga Europa para recuperar e cimentar a sua presença na quarta posição, sendo o mérito do técnico Ernesto Valverde inegável após saídas do núcleo duro do plantel e da campanha até à final da Liga Europa de 2011/2012.  

   Com 52 golos marcados e 32 sofridos (os mesmos que Real Madrid), a equipa normalmente assenta numa formação 4x2x3x1 e conta com uma linha defensiva com processos bem rotinados e consubstanciada por um guarda-redes de qualidade e com anos de casa (Gorka Iraizoz), sendo os laterais normalmente Mikel Balenziaga e o experiente Andoni Iraola (com mais de 300 jogos oficiais pelo Athletic) e os centrais por dois jovens com experiência em seleções de camadas jovens, com eles a serem o ex-Liverpool Mikel San José e a promessa francesa Aymeric Laporte e não se coibindo com a precoce idade, dando garantias nas mais recentes partidas. O meio-campo conta com dois pivots, sendo eles por norma Ander Iturraspe e o capitão Carlos Gurpegi e com uma solução de recurso (Mikel Rico) também bastante capaz) e faz-se constituir por um trio mais ofensivo onde pontificam o jovem promissor Ander Herrera como um 8-10, construindo o fluxo ofensivo e guarnecendo o avançado de boas oportunidades e os flancos a serem ocupados pela estrela da equipa basca Iker Muniain, já muito cobiçado pelos grandes clubes do continente europeu, e Óscar De Marcos, que, apesar dos seus 23 anos, apresenta regularidade e experiência bastante valiosas, aliando a estas aptidões golos decisivos; sendo também as soluções de banco para estes lugares ativos importantes, com Markel Susaeta a ser um dos inúmeros produtos da cantera do clube de Navarra a firmar-se no plantel principal. O ataque possui dois avançados bastante profícuos, sendo eles Ibaí Gómez (8 golos em 6 jogos) e Aritz Aduriz (6 em 16). 

   Numa época de ressurgimento do Athletic Club de Bilbao aos lugares cimeiros da La Liga, o técnico Ernesto Valverde tem sido o tónico essencial para a revalorização do plantel, que voltou a reencontrar-se e, mesmo ressentindo-se inicialmente de perdas pertinentes, voltou a ser uma equipa abnegada, de simples processos e com a chave da equipa a ser a coesão intra-setores e a garra caraterizadora do clube basco nas passadas épocas. Com isto, o Athletic, baseado na política de formação e numa direção sólida, possui as ferramentas necessárias para voltar a ser uma equipa frequentemente imiscuída em compromissos europeus e discutir a Copa del Rey com mais argumentos e pode mesmo chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões.

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / insidespanishfootball.com / imagenes.fichajes.net