Um fracasso. É desta forma simples que se pode
descrever a época 2013/14 do FC Porto. Orientados primeiro por Paulo Fonseca e
mais tarde por Luís Castro, os dragões não foram além do terceiro lugar no
campeonato, deixando-se ultrapassar pelos rivais da capital, apesar de terem
chegado a estar no primeiro posto, com mais cinco pontos do que o segundo
classificado. Ao longo do ano, mutas foram as tentativas de explicação por
parte da imprensa para os maus resultados da equipa principal dos azuis e
brancos: "Paulo Fonseca deu o salto para um grande demasiado cedo na sua
carreira"; "houve evidentes lacunas no plantel, logo desde a
pré-temporada"; "João Moutinho e James, que juntos fizeram entrar 70
milhões de euros nos cofres portistas, não foram devidamente
substituídos"; "Benfica esteve a um nível muito superior aos
adversários e Sporting superou todas as expectativas"; "nota-se a
falta de desequilibradores natos neste FC Porto"... Arrigo Sacchi afirmou que "O futebol é a coisa mais importante dentro das menos importantes". Um grupo de jovens estudantes universitários corrobora estas palavras e propõe uma assistência com um Passe de Letra.
16 de maio de 2014
A causa não mencionada do desastre
Um fracasso. É desta forma simples que se pode
descrever a época 2013/14 do FC Porto. Orientados primeiro por Paulo Fonseca e
mais tarde por Luís Castro, os dragões não foram além do terceiro lugar no
campeonato, deixando-se ultrapassar pelos rivais da capital, apesar de terem
chegado a estar no primeiro posto, com mais cinco pontos do que o segundo
classificado. Ao longo do ano, mutas foram as tentativas de explicação por
parte da imprensa para os maus resultados da equipa principal dos azuis e
brancos: "Paulo Fonseca deu o salto para um grande demasiado cedo na sua
carreira"; "houve evidentes lacunas no plantel, logo desde a
pré-temporada"; "João Moutinho e James, que juntos fizeram entrar 70
milhões de euros nos cofres portistas, não foram devidamente
substituídos"; "Benfica esteve a um nível muito superior aos
adversários e Sporting superou todas as expectativas"; "nota-se a
falta de desequilibradores natos neste FC Porto"... 4 de maio de 2014
Crónica Saturnina: a hesitação de afirmação do Galatasaray SK
Um dos
projetos das periferias europeias com mais expectativas depositadas no início
da presente temporada por parte da imprensa desportiva era o do Galatasaray SK,
um clube turco que tinha dado nas vistas na época transata após vencer
inapelavelmente o campeonato nacional e de morder os calcanhares ao Real Madrid
CF, na altura treinado por José Mourinho, nos quartos-de-final da Liga dos
Campeões. Com um plantel bem apetrechado de vastas soluções e alicerçado com
elementos com traquejo continental e com um técnico de nacionalidade turca e já
um profundo conhecedor da realidade deste emblema (Fatih Terim), tudo parecia
indicar para um sucesso interno sem grande contestação e para voos europeus de
maior travessia. Contudo, apesar da 5ª Supertaça Turca conquistada, Terim
acumulou resultados negativos internos e uma goleada em casa precisamente
diante do Real Madrid a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões ditou
a chicotada por parte da direção. O sucessor foi nada mais nada menos que o
italiano Roberto Mancini, que, após uma campanha relativamente bem-sucedida ao
leme do Manchester City, foi o escolhido para levar o Galatasaray aos objetivos
propostos.
Ainda com
Fatih Terim ao leme da equipa otomana, o Galatasaray garantiu a contratação de
alguns elementos com vasta experiência europeia como Felipe Melo, Aurelien
Chejdou e Umut Bulut mas, já com Mancini, esse leque foi alargado através de
jogadores como Izet Hajrovic ou Koray Günter, sendo reembolsado através de
empréstimos de outros com um rendimento abaixo do esperado, como o português
Bruma (maior investimento da época, 10M proveniente do Sporting CP) e como o
camaronês Dany Nounkeu. A chegada de Mancini a 30 de setembro trouxe uma
renovada confiança à equipa mas nunca conseguiu os resultados esperados na Liga
(o Fenerbahçe já mantinha uma vantagem interessante sobre o 2º posto). 13
vitórias, 1 empate e 4 derrotas foi o melhor conseguido pelo italiano, que,
mesmo após 3 meses internamente invencível e de manter um registo de apenas
vitórias no seu terreno até à humilhante derrota por 0-4 diante do Kasimpasa,
ainda não consegue cumprir com as expectativas internas e externas e sobrando
apenas a Taça para poder acrescentar ao seu palmarés (jogará esta quarta-feira
diante do Eskisehirspor). Na componente internacional, a formação turca
conseguiu ultrapassar a fase de grupos, eliminando a Juventus após um jogo
disputado à tarde num terreno bastante danificado climatericamente, mas caiu
perante o Chelsea após empatar em casa a 1 e uma derrota em Stamford Bridge por
2-0, não garantindo, assim, a meia-final que permitiria a Mancini arrecadar 7
milhões de euros como firmava uma das cláusulas expostas no seu contrato.
O plantel,
como apontado acima, apresenta uma mescla de elementos oriundos do país turco e
de outros com vasta experiência nas principais ligas europeias e as nuances
táticas presentes representam um 4x4x2 com muito pendor de posse de bola, com
uma construção apoiada e paciente assente na maturidade dos seus jogadores e
com uma linha defensiva que ocupa espaços adiantados no terreno e que utiliza
um sistema de pressão alta. Na baliza, encontra-se o guardião titular da
seleção uruguaia Fernando Muslera, um dos elementos preponderantes da equipa,
com a solução de banco a ser o jovem promissor de 1,97m Eray Iscan. A linha
defensiva conta com dois experientes laterais em Hakan Balta e Emmanuel Eboué e
com dois centrais de créditos firmados em Semih Kaya e Aurelien Chedjou,
alicerçados em duas outras soluções de banco em Dany Nounkeu , o jovem
potencial Koray Gunter e Gokhan Zan que oferecem suficientes garantias a
Mancini. O setor intermédio é constituído por dois futebolistas mais fixos e de
transmissão de equilíbrio à equipa que costumam ser Felipe Melo e Selçuk Inan
(Yekta Kurtulus é um recurso a recorrer em caso de ausência) e outros dois que
ofensivamente causam mais apoquentações às defesas oponentes em Sabri Sarioglu
e Wesley Sneijder (Izet Hajrovic e Emre Çolak afirmam-se como duas soluções de
futuro). O ataque tem armas letais e profícuas de nacionalidade turca (Umut
Bulut e Burak Yilmaz possuem faros de golo bastante reforçados) e consolidadas
pela grande figura internacional da equipa que é o costa-marfinense Didier
Drogba, que permanece com atração magnética à baliza.
Apesar de
todos os atributos reconhecidos a esta formação do Galatasaray SK e da presença
na final da taça na próxima quarta, esta equipa turca desapontou interna e
externamente tendo em conta a qualidade dos recursos ao dispor de um treinador
experiente internacionalmente e com um vasto palmarés na sua bagagem, pelo que
o projeto mostrou algumas debilidades e não conseguiu arrecadar o bicampeonato
nacional e garante apenas a qualificação para a fase de grupos da Liga dos
Campeões pela punição efetuada ao Fenerbahçe por duas épocas que determina a
ausência deste clube das competições europeias. Tudo aponta para que a falta de
know-how do técnico em relação ao futebol turco e a carência de tempo para que
a equipa assimile os métodos pretendidos pelo italiano sejam as causas deste
fracasso, pelo que a próxima época pode atenuar estes efeitos.
Artigo
escrito por: Lucas
Brandão
Imagens: squawka.com
/ redditmedia.com /uefa.com
3 de maio de 2014
Futebol Global: Frank de Boer, o devorador da Eredivisie (análise de 15 a 30 de abril)
Reflexão: A temporada 2013/14 chega este fim-de-semana ao seu término na Holanda, depois da coroação do AFC Ajax como tetracampeão da Eredivisie. Com a melhor defesa do campeonato (vinte e seis golos sofridos) e apenas três derrotas, a formação oriunda de Amesterdão dominou o campeonato, ocupando a primeira posição somente desde a jornada dezoito. Um título que permite reforçar cada vez mais a liderança no número de ligas conquistadas (trinta e três, contra vinte e uma do PSV Eindhoven e catorze do Feyenoord). Além disso, Frank de Boer conquista pelo quarto ano consecutivo esta competição como treinador principal dos "De Ajacieden". Olhando para as taças, o AFC Ajax conquistou igualmente a Holland Supercup em julho passado, ao bater o AZ Alkmaar por 3-2 após prolongamento. Pior sorte teve na KNVB-beker, uma vez que perdeu de forma copiosa a final frente ao modesto PEC Zwolle por 5-1. Em baixo segue-se uma análise detalhada às principais formações do país das tulipas. 19 de abril de 2014
Crónica Saturnina: A consistência do LOSC Lille
A crise económica europeia já não se torna
novidade nenhuma, afetando vários desportos e, com a forte presença dos
“petrodólares” a surgir no panorama futebolístico, a França não se tornou imune
a este fenómeno com o forte investimento em clubes como o Paris Saint-Germain e
o AS Monaco. Porém, nem todos os clubes gauleses enveredaram por esta opção e
escolheram o reforço do plantel com jogadores do escalão principal francês por
um custo acessível, aliando a isto uma forte aposta na formação destas equipas.
Uma delas foi a campeã da Ligue One da temporada 2011/2012 e que prima pela
consistência, tendo acedido à Liga dos Campeões por duas épocas consecutivas e
estando próxima de uma terceira presença. Apesar da saída do talentoso
treinador francês Rudi Garcia para a AS Roma, o LOSC Lille conseguiu mostrar
sinais de que é uma estrutura bem consolidada ao contratar o experiente técnico
René Girard (que deu o inédito título a um clube com moldes similares a este
Lille, o Montpellier HSC) e de estar perto de garantir a qualificação para o
playoff de acesso à fase de grupos da “liga dos milionários”, após ter militado
no 2º posto que permite a qualificação direta para esta eliminatória e estar
agora numa série mais titubeante de resultados. Contudo, a formação do Lille
demonstra bem um exemplo de uma equipa que permanece a obter resultados com uma
aposta em recursos mais modestos mas não menos eficazes nesta nova era dos
fortes investimentos monetários na modalidade.
Com a necessidade de venda de algumas peças
fulcrais do plantel para conseguir um saldo financeiro positivo (à volta de 25
milhões de euros), o investimento empreendido foi de baixo valor, com especiais
ênfases no ingresso de jogadores provenientes de um período de empréstimo
encetado pela equipa francesa e com aposta na formação. Com os objetivos bem
delineados (garantia de um lugar europeu e fazer o melhor possível nas taças),
o treinador contratado e o plantel à disposição permitiam tal concretização.
Com um rendimento abaixo do esperado nas taças (eliminação na Taça diante do
Stade Rennais e na Taça da Liga contra o AJ Auxerre), o objetivo do campeonato
foi cada vez mais consolidado e exibido no desempenho mostrado. O período
inicial não foi o mais interessante com 3 vitórias em 6 jogos a concederem o 9º
lugar à equipa de Lille. Ainda assim, o melhor foi mostrado nas 11 partidas que
se seguiram (9 êxitos) que levaram esta formação ao 2º lugar e a aspirar a algo
mais que um mero posto europeu mas 4 derrotas nos 8 jogos que se seguiram relegaram-na
para o 3º lugar, onde permanecem após uma fase mais positiva de três vitórias
consecutivas nestas últimas 3 disputas, detendo uma vantagem interessante sobre
o 4º posicionado Saint-Etiénne e destacando-se pela consistência demonstrada
neste último período.
O plantel conta com uma mescla de elementos
experientes e de alguns jovens emergentes, apostando René Girard na vertente
experiente do plantel para alavancar os futebolistas mais tenros a incorporarem
as rotinas e dinâmicas de um coletivo, desvalorizando mais o âmbito individual.
Apostando numa formação teoricamente 4x3x3 mas, em prática, mais similar a um
4x2x3x1, o treinador tem à sua disposição o virtuoso guarda-redes da seleção
nigeriana Vincent Enyeama, de 31 anos, que se encontra de pedra e cal na defesa
das redes gaulesas, sendo os seus suplentes também maduros (Steeve Elana de 33
e Barel Mouko de 35 anos). A linha defensiva é normalmente composta pela desenvolvida
dupla de centrais de dois internacionais pelos seus países, sendo eles o
montenegrino Marko Basa e o reforço dinamarquês Simon Kjaer, e pelos laterais
com grande verticalidade e pendor ofensivo Franck Béria e o senegalês Pape
Souaré. O meio-campo dispõe de muita experiência e normalmente dispõe de dois
elementos mais recuados com Rio Mavuba e Florent Balmont a assumirem essas
funções pois, com menor disponibilidade física, ainda podem dar um contributo
de uma forma menos física mas não de menor pertinência. A dinâmica de jogo
deste Lille passa muito normalmente pelo futebolista com mais minutos por esta
equipa que é o senegalês Idrissa Gueye, naturalmente cobiçado por clubes com
maior projeção e poderio, com Jonathan Delaplace, Marvin Martin e um dos
projetos da formação do clube Soualiho Mëite a firmarem-se como opções válidas
para estas funções do miolo. Num contexto mais ofensivo, patenteia-se a
presença regular do médio ofensivo Ronny Rodelin e dos três melhores marcadores
desta formação: a indiscutível estrela da equipa e costa-marfinense Salomon Kalou
(14 tentos), Nolan Roux (8) e a promessa belga Divock Origi (5); com outros
valores de qualidade a poderem colmatar a ausência destas individualidades, como
o cabo-verdiano Ryan Mendes e o costa-riquenho John Jairo Ruíz.
Conclui-se que o LOSC Lille é um dos projetos
sustentados de um futebol emergente, que é o francês, que sempre se exibiu pela
consistência na presença em fase de grupos de competições europeias mas sem lograr muitas eliminatórias de vulto, com a exceção das participações do Olympique de Lyon.
Com o surgimento de clubes alvo de um forte investimento dos “petrodólares”
orientais, o futebol gaulês ganhou outra notoriedade e o LOSC Lille foi uma das
agradáveis surpresas ao vencer o campeonato na época de 2011/2012 e de manter a
consistência da sua presença nos lugares cimeiros da Ligue 1. Com um plantel
interessante e que fornece variados recursos em termos de experiência e de
irreverência sustentada, a equipa do Lille permanece na elite do futebol
francês após passar algumas épocas nos lugares tranquilos do meio da tabela,
afirmando-se de forma veemente no presente como um sólido emblema pertencente a
um futebol em claro crescimento.
Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / nordsports-mag.com / media.rtl.fr
14 de abril de 2014
Mundial 2014: Grupo C
Calendário de Jogos:
Jornada 1: 14 de junho
Colômbia vs Grécia (13h00 - Belo Horizonte)
Costa do Marfim vs Japão (22h00 - Recife)
Jornada 2: 19 de junho
Colômbia vs Costa do Marfim (13h00 - Brasília)
Japão vs Grécia (19h00 - Natal)
Jornada 3: 24 de junho
Japão vs Colômbia (16h00 - Cuiabá)
Grécia vs Costa do Marfim (17h00 - Fortaleza)
Grécia vs Costa do Marfim (17h00 - Fortaleza)
Nota: os horários apresentados correspondem ao horário do início das partidas nas diferentes cidades brasileiras.
12 de abril de 2014
Crónica Saturnina: A recessão do Bayer 04 Leverkusen
A Bundesliga sofreu uma rápida ascensão no
panorama europeu na presente década com a regularidade de presenças de equipas
alemãs nas fases adiantadas das competições europeias e com alguns dos melhores
futebolistas da atualidade a ingressarem em emblemas germânicos, com maior
pendor para Bayern de Munique e Borussia de Dortmund. Contudo, outros clubes como
Werder Bremen ou Stuttgart perderam bastante fulgor face aos primeiramente
mencionados, estando num momento de crise desportiva, sem conseguir ombrear com
esses emblemas e lutam por objetivos bem menos auspiciosos (permanência ou um
playoff de acesso à Liga Europa). Contudo, existe um caso peculiar de um clube
com presença consistente em provas europeias e nos lugares cimeiros do
campeonato mas que apenas apresenta 3 troféus no seu palmarés e com o último a
ser conquistado há… 21 épocas (Supertaça Alemã). Sem qualquer campeonato no
mesmo, o Bayer 04 Leverkusen, treinado pelo finlandês Sami Hyypiä… até ao
passado dia 5 de abril, onde foi demitido para dar lugar ao técnico da época
passada Sascha Lewandowski; apresenta (mais) uma estranha particularidade exibida
na presente época: apenas uma vitória nos últimos 9 encontros para a Bundesliga
cavam um fosso ainda maior entre os lugares que classificam diretamente para a
fase de grupos da Liga dos Campeões, obrigando a disputa de um playoff para
sucessiva qualificação. Este Leverkusen apresenta um número de derrotas (11) que
é elevado face aos objetivos pretendidos e é ameaçado por Wolfsburg e Mainz na
manutenção do posto europeu que conduziria a formação de Sascha Lewandowski à
Liga Europa.
Com algumas saídas comprometedoras (a
estrela da equipa André Schürrle foi transferido para o Chelsea e os defesas
Michal Kadlec deslocou-se para o Fenerbahçe e Andre Carvajal para o Real
Madrid), os alemães reforçaram-se especialmente internamente com as
contratações de, entre outros, Robbie Kruse ao Fortuna Dusseldorf ou de Emre
Can ao Bayern de Munique. Os primeiros três meses revelaram-se prometedores
(apenas duas derrotas em deslocações teoricamente difíceis a Manchester (2-4) e
a Gelsenkirchen (0-2)). Contudo, a fase
conturbada viria a partir da viragem do ano. Mesmo mantendo um lugar no trio da
frente da Bundesliga e passar em segundo lugar a fase de grupos da Liga dos
Campeões que disputava com os ingleses do Manchester United, os espanhóis da
Real Sociedad e os ucranianos do Shakhtar de Donetsk, três derrotas diante de
Eintracht de Frankfurt, Freiburg e Werder Bremen pronunciavam um 2014
desastroso. Somando apenas 3 vitórias em 14 partidas disputadas neste período (englobando
eliminações na Taça interna e na Liga dos Campeões, diante de uma equipa do
segundo escalão do Kaiserslautern e dos franceses do Paris Saint-Germain
respetivamente), esses êxitos foram conquistados perante formações como o
Stuttgart, o Borussia Monchengladbach (que destronou depois a formação de
Leverkusen do 4º posto) e o FC Augsburg.
A anomalia exposta por esta equipa não é
resultante da ausência de qualidade do plantel, que demonstrou já, bem no
início da temporada, que possuía argumentos para se debater pelos postos
condutores à fase de grupos da Liga dos Campeões. Enveredando normalmente por
um sistema tático 4x3x3 e seguindo a filosofia da maioria dos clubes
compatriotas, o Bayer aposta em elementos jovens e com nacionalidade alemã,
abrindo algumas exceções. Na baliza pontifica o titularíssimo Bernd Leno,
alemão proveniente da mais recente fornada de jovens guardiões germânicos que
transmitem bastante segurança e agilidade. A linha defensiva que se posiciona à
frente do guarda-redes é maioritariamente estrangeira e constituída por uma dupla
de centrais (o bósnio Emir Spahic e o turco Omer Toprak) com os laterais a
serem o polaco Sebastian Boenisch e o turco naturalizado alemão Emre Can, sendo
uma que exibe virtudes como a coesão e solidariedade intra-elementos e que não
se atreve em larga escala na dinâmica ofensiva, à exceção do último mencionado
que contribui na construção ofensiva tendo em conta a sua posição de origem. O
miolo possui dois jogadores de propensão ofensiva e de construção dinâmica de
processos e outro de estanque defensivo e participando na primeira fase de
construção, sendo esta mais paciente e trabalhada. Sendo uma função talhada
para um jogador experiente, é comummente ocupada pelo alemão Simon Rolfes, um
dos elementos com mais temporadas de casa e sendo um símbolo do clube. As
restantes missões ficam encarregues de dois jovens alemães com grande predisposição física e
virtuosismo, sendo eles Lars Bender e Sidney Sam (dos melhores marcadores da
equipa com 12 golos e que já assinou contrato com o Schalke 04 por 4 épocas,
passando a representar o clube de Gelsenkirchen na próxima época) e com outras
soluções de grande valia no banco de suplentes, sendo eles os frutos da
formação Gonzalo Castro (também ele já um ícone da massa associativa), Stefan
Reinartz e Jens Hegeler. O ataque, que se organiza com dois flanqueadores e um
avançado referência, conta com duas estrelas de seleções da confederação AFC,
sendo eles os alas sul-coreano Son Heung-min (uma das grandes esperanças do
futebol asiático e vindo a confirmar todo o potencial preconizado pela imprensa
com 10 golos) e o australiano Robbie Kruse; já o ponta-de-lança é o
internacional alemão Stefan Kiessling, que, com 30 anos e 14 golos somados, se
assume como a grande estrela da equipa e como o “menino bonito” da massa adepta
e que, temporada após temporada, é fortemente seduzido por outros clubes
europeus mas com a direção do clube a conseguir fazê-lo permanecer.
Com um plantel que dá bastantes garantias
para a prossecução dos objetivos propostos no início da época, o rendimento
apresentado neste ano civil não correspondeu às expectativas e as razões são
várias, passando pela inconsistência e juventude do técnico finlandês até
inícios do presente mês que não conseguiu encontrar soluções para o estado
letárgico em que a formação subitamente se encontrou e, tendo em conta a
relativa idade precoce da generalidade do plantel, uma sucessão de maus
resultados fez o Bayer 04 Leverkusen entrar numa recessão ainda maior e numa
crise de resultados com uma componente mental bem saliente. Com uma vitória nos
últimos 9 encontros relativos à Bundesliga, exige-se à equipa e ao técnico da
transata temporada que reabilite os níveis anímicos da formação germânica de
modo a garantir, pelo menos, um posto europeu.
Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / enelareachica.com / media.zenfs.com
9 de abril de 2014
Sporting CP: Que futuro?
Depois de uma
temporada em que predominou o fracasso e que será, para sempre, recordada como
a pior da história do clube, antevia-se uma época modesta, de restruturação e
de um crescimento que permitisse sonhar com a glória nacional, nos próximos
anos. Contudo, um conjunto de jovens talentos, um presidente inteligente e,
sobretudo, um fantástico treinador, que tornou um simples desconhecido como era
William Carvalho num médio defensivo de classe mundial, catapultaram as
ambições do clube para patamares, até há bem pouco tempo atrás, irrealistas.29 de março de 2014
Crónica Saturnina: O despertar do Athletic Club de Bilbao
A La Liga é
talvez a competição europeia interna que apresenta maior qualidade individual
na forma do Real Madrid e Barcelona, as duas coletividades que regularmente
ocupam os dois primeiros postos desta liga (o Atlético de Madrid despoletou
este ano e baralhou um pouco as contas na luta pelo top3). Contudo, o bom
desempenho ibérico não se cinge a estes três clubes e alargou-se a equipas como
Sevilha (duas Ligas Europa) e o tema deste artigo: o momento da equipa do Athletic Club de
Bilbao, que logrou a final da competição atrás referida com Marcelo Bielsa no
comando técnico e, após um 12º lugar na época transata que ditou a saída deste
técnico argentino, a direção do clube basco apostou num homem espanhol e num
velho conhecido deste emblema (já o treinou entre 2003 e 2005), de nome Ernesto
Valverde. Apesar de algumas saídas de figuras proeminentes do plantel (o
avançado e melhor marcador da equipa Fernando Llorente para a Juventus FC e o
defesa venezuelano Fernando Amorebieta para o Fulham FC). Um clube que se destaca pela sua
particular identidade de ser composta exclusivamente por elementos nascidos na
zona da Navarra ou com formação no clube de Bilbao, o Athletic apresenta-se num
4º posto na La Liga, que lhe permite, desafogadamente (6 pontos de vantagem sobre o 5º Sevilha), sonhar
com uma presença na fase de grupos no novo modelo da Liga dos Campeões
(exigindo-se apenas passar um playoff de admissão e, mesmo sendo eliminado,
garante a presença na fase de grupos da Liga Europa). O que se segue é uma
análise detalhada à época deste peculiar clube e do respetivo plantel.
Investindo 15 milhões de euros, o Athletic
apostou sobretudo em reforçar-se com elementos nativos da Navarra que dispunham
de alguma experiência na La Liga, complementando-os com os mais recentes
produtos da cantera basca e os objetivos consistiam num registo digno na Copa
del Rey e na obtenção da tranquilidade na La Liga e, consequentemente, pensar
num lugar europeu. Todavia, a
tranquilidade foi encontrada mais cedo que o previsto após um “annus
horribilis” e o posto que permitia a qualificação europeia foi sendo mantida ao
longo da temporada, cavando uma diferença considerável face às restantes
equipas à procura do playoff da Liga dos Campeões. Três vitórias, um empate e
três derrotas a iniciar a temporada permitiram um seguro 6º posto (sendo todas
as derrotas fora) e prometiam algo diferente da pretérita época, acabando as
expectativas por serem cumpridas. De seguida, a equipa de Ernesto Valverde
conseguiu alcançar o 4º lugar com cinco vitórias, dois empates e uma derrota
(diante do carrasco dos quartos-de-final da Copa del Rey e líder do campeonato
Atlético de Madrid). Com alguns resultados mais inconsistentes (empate fora
diante do concorrente direto Sevilha, vitória por 2-1 face ao Rayo Vallecano e
derrota fora contra o europeu Real Sociedad), o real poder do caudal ofensivo
basco estava para ser demonstrado com três vitórias consecutivas por números
largos (6-1 contra o Almería e 4-2 contra o Real Valladolid e, na deslocação a
Pamplona, 5-1 diante do Osasuna). Contudo, mais recentemente, apenas duas
vitórias em nove encontros sobressaltam os adeptos do clube da Navarra, que
podem beneficiar da presença do Sevilha nos quartos-de-final da Liga Europa
para recuperar e cimentar a sua presença na quarta posição, sendo o mérito do
técnico Ernesto Valverde inegável após saídas do núcleo duro do plantel e da
campanha até à final da Liga Europa de 2011/2012.
Com 52 golos marcados e 32 sofridos (os
mesmos que Real Madrid), a equipa normalmente assenta numa formação 4x2x3x1 e conta
com uma linha defensiva com processos bem rotinados e consubstanciada por um
guarda-redes de qualidade e com anos de casa (Gorka Iraizoz), sendo os laterais
normalmente Mikel Balenziaga e o experiente Andoni Iraola (com mais de 300
jogos oficiais pelo Athletic) e os centrais por dois jovens com experiência em
seleções de camadas jovens, com eles a serem o ex-Liverpool Mikel San José e a
promessa francesa Aymeric Laporte e não se coibindo com a precoce idade, dando
garantias nas mais recentes partidas. O meio-campo conta com dois pivots, sendo
eles por norma Ander Iturraspe e o capitão Carlos Gurpegi e com uma solução de
recurso (Mikel Rico) também bastante capaz) e faz-se constituir por um trio
mais ofensivo onde pontificam o jovem promissor Ander Herrera como um 8-10,
construindo o fluxo ofensivo e guarnecendo o avançado de boas oportunidades e
os flancos a serem ocupados pela estrela da equipa basca Iker Muniain, já muito
cobiçado pelos grandes clubes do continente europeu, e Óscar De Marcos, que, apesar
dos seus 23 anos, apresenta regularidade e experiência bastante valiosas,
aliando a estas aptidões golos decisivos; sendo também as soluções de banco
para estes lugares ativos importantes, com Markel Susaeta a ser um dos inúmeros
produtos da cantera do clube de Navarra a firmar-se no plantel principal. O
ataque possui dois avançados bastante profícuos, sendo eles Ibaí Gómez (8 golos
em 6 jogos) e Aritz Aduriz (6 em 16).
Numa época de
ressurgimento do Athletic Club de Bilbao aos lugares cimeiros da La Liga, o técnico
Ernesto Valverde tem sido o tónico essencial para a revalorização do plantel,
que voltou a reencontrar-se e, mesmo ressentindo-se inicialmente de perdas
pertinentes, voltou a ser uma equipa abnegada, de simples processos e com a
chave da equipa a ser a coesão intra-setores e a garra caraterizadora do clube
basco nas passadas épocas. Com isto, o Athletic, baseado na política de
formação e numa direção sólida, possui as ferramentas necessárias para voltar a
ser uma equipa frequentemente imiscuída em compromissos europeus e discutir a
Copa del Rey com mais argumentos e pode mesmo chegar à fase de grupos da Liga
dos Campeões.
Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: squawka.com / insidespanishfootball.com / imagenes.fichajes.net
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