7 de setembro de 2014

Espaço Entrelinhas: Destaques de Primeira

   Completadas as primeiras três jornadas da Primeira Liga, estando o campeonato nacional interrompido em virtude dos compromissos das seleções nacionais, é tempo de fazer um balanço sobre o arranque da temporada 2014/2015.

   Em primeiro lugar merece destaque o Rio Ave FC. A equipa vilacondense tem sido um dos principais animadores deste início de época. Com 9 pontos no campeonato, a turma de Pedro Martins lidera a competição, dando mostras de querer dar continuidade ao bom trabalho que tem sido efetuado ao longo das temporadas anteriores. Até ao momento tem sobressaído a sua capacidade de finalização expressa indelevelmente nas goleadas por 1-5 perante o GD Estoril-Praia na Amoreira e o 4-0 numa partida frente ao Boavista FC no Estádio dos Arcos. A principal arma rioavista é o sentido coletivo e o espírito de equipa. No entanto realço alguns nomes. O defesa central Marcelo é o «patrão» do quarteto defensivo. Sereno nas suas ações, sóbrio, transmite muita tranquilidade aos seus companheiros de setor. A sua continuidade em Vila do Conde permaneceu envolta em dúvidas até ao fecho do mercado de transferências. Muito cobiçado, a sua permanência é sem dúvida uma boa notícia para Pedro Martins. Para além da segurança e estabilidade que confere a toda a equipa, tem-se revelado importante nas bolas paradas ofensivas e defensivas uma vez que o brasileiro tem no jogo aéreo outra das suas virtudes. Com 25 anos é um dos defesas centrais com mais classe e qualidade do nosso campeonato. Um valor seguro para acompanharem com atenção. Tarantini é o «arquiteto» da equipa. Todo o jogo do Rio Ave passa pelos seus pés. Muito experiente, é o capitão e a voz de comando. Um médio trabalhador, jogador de equipa que a equilibra, impedindo descompensações. Seja a atacar ou a defender é um porto seguro. Sempre que tem oportunidade visa a baliza contrário, fazendo uso do seu potente remate. Muito do jogo ofensivo da equipa está dependente da velocidade e capacidade de desequilíbrio de Ukra e Diego Lopes. O segundo, brasileiro que passou pela formação do SL Benfica, tem sido uma agradável surpresa. É um dos jogadores mais tecnicistas ao dispor de Pedro Martins e tem tido um arranque de campeonato muito bom. É um jovem bastante criativo que vem crescendo no seio da equipa, contribuindo com golos e assistências para os companheiros. Por fim, destaco um jovem de apenas 18 anos que me tem entusiasmado particularmente. Trata-se de Boateng. O ganês surgiu como um ilustre desconhecido mas pouco a pouco, como que em pezinhos de lã, vai conquistando um lugar nas escolhas do treinador. É um avançado muito móvel, dotado de um bom poder de arranque e aceleração. Irrequieto, nunca dá uma bola por perdida. Quer seja lançado de início ou a partir do banco, tem o condão de mexer com o jogo. Impressionam-me a sua velocidade e o seu poder de impulsão. Um jovem para seguir atentamente.

  A acompanhar o bom arranque de campeonato salienta-se ainda a histórica e inédita presença do Rio Ave na fase de grupos da Liga Europa. Ainda está fresco na minha memória aquele golo de Esmael Gonçalves, como que caído do céu, e que carimbou o passaporte dos vilacondenses para a Europa do futebol. Há um novo herói em Vila do Conde e até ver a temporada vai correndo de vento em popa para o Rio Ave FC.

   O meu próximo destaque situa-se igualmente no norte do país. Refiro-me ao Vitória SC que soma igualmente por vitórias todos os jogos já disputados na Primeira Liga. As gentes de Guimarães só podem estar orgulhosas do trajeto do clube da sua cidade. Um clube histórico que fruto dos condicionalismos económico-financeiros que imperam na nossa sociedade se vê forçado a reinventar-se época após época. A aposta na prata da casa tem dado frutos e é para continuar. Tal como Guimarães, a cidade, é o berço da Nação, também o Estádio D. Afonso Henriques é o berço ou a incubadora de jovens talentos, portugueses, que devido aos condicionalismos já referidos têm na primeira equipa do Vitória um espaço de crescimento e desenvolvimento sustentável, no mais alto patamar do futebol português. A afirmação destes jovens da formação deve-se muito ao técnico Rui Vitória. É impossível ficar indiferente ao trabalho e à carreira deste jovem treinador português. Começou no Vilafranquense, passou pelas camadas jovens do SL Benfica e deu nas vistas no FC Paços de Ferreira até se assumir como o “dono do castelo” em Guimarães. Está a cumprir a sua quarta temporada no Minho e ao longo desses anos enfrentou sempre dificuldades. Sem muito dinheiro para investir em reforços apostou destemido nos jovens da formação vimaranense. Tiago Rodrigues e Ricardo Pereira, hoje em dia no FC Porto, foram dois dos jovens que sob a orientação de Vitória foram peças importantes para a conquista da Taça de Portugal na temporada de 2012/2013, o ponto mais alto de Vitória no Vitória. A cada conquista, a cada temporada melhor conseguida, Rui Vitória perde as suas jovens pérolas. A mais recente foi o central Paulo Oliveira que rumou ao Sporting CP. O que mais admiro no técnico é a sua capacidade de superação. Ano após ano é forçado a reconstruir o seu plantel e no final consegue sempre alcançar os seus objetivos. A sua competência e capacidade para retirar o melhor dos jovens ao seu dispor, a sua determinação e resiliência para superar os mais variados obstáculos são de louvar. É por isso que ao comentar o Vitória SC tenho que fazer este elogio ao seu treinador. Um dos melhores e com mais provas dadas no panorama nacional.

   Para esta temporada perdeu a sua referência ofensiva (Maâzou partiu para o CS Marítimo) e um dos seus principais desequilibradores, Marco Matias, que é reforço do CD Nacional, mas mesmo assim não deixou de apresentar um futebol ofensivo, positivo, sempre na busca pelos 3 pontos. André André é o dínamo do Vitória, um jogador que joga e faz jogar. Doulgas, o guarda-redes, oferece segurança à equipa e os jovens Hernâni, Bernard (poderá conhecer um pouco melhor o perfil deste jovem ganês aqui) e Tomané animam as partidas no último terço do terreno. O objetivo será a realização de uma época tranquila. Nas três primeiras jornadas alcançarem 9 pontos é um feito notável para uma equipa que pretende assegurar a manutenção o mais rapidamente possível. Um bom presságio para os «conquistadores»… Estamos na presença de uma equipa especial, apoiada por uma massa associativa muito exigente mas incansável no apoio ao seu clube. A mística do Vitória SC, o facto de as pessoas de Guimarães apoiarem exclusivamente o clube local é também um impulso e um incentivo. O plantel pode não ter nomes sonantes, o clube pode não ter muita capacidade para colmatar, no mercado de transferências, as lacunas de um plantel muito jovem e pouco experiente, mas toda a envolvência em torno do Vitória e a capacidade e qualidade de Rui Vitória, que contraria a lógica de «jogar para o pontinho» podem levar esta equipa a cumprir com sucesso os objetivos delineados.

   Não poderia deixar de referir o renovado FC Porto de Julen Lopetegui. Neste espaço já tive a oportunidade de fazer algumas considerações em relação ao plantel dos «dragões» (ver aqui). O início de campeonato protagonizado pelos azuis e brancos veio ao encontro das minhas expectativas. O que mais me surpreendeu foi mesmo o técnico espanhol, pese embora a qualidade do plantel ao dispor de Lopetegui no qual, refira-se, ele próprio teve muita liberdade nas escolhas para a sua composição. Encarado inicialmente com alguma desconfiança, o basco desde cedo se impôs. A gestão que fez em relação a Quaresma e a forma como solucionou o “filme” gerado à volta do atleta, a aposta num jovem de 17 anos como Rúben Neves, uma das surpresas deste arranque de campeonato – apresenta muita maturidade, qualidade e tem desde já a oportunidade para crescer e jogar na primeira equipa – e a afirmação de que «não há titulares» são uma clara demonstração da força de Lopetegui. A famosa «gestão de egos» que traiu o seu antecessor Paulo Fonseca parece estar a ser gerida de uma melhor forma pelo treinador espanhol. É, portanto, merecedor deste destaque. Dentro de campo nada que não se esperasse: um FC Porto dominador, com muita posse de bola faltando, porém, um melhor critério na definição dos lances. A permanência de Jackson Martínez pode ser benéfica nesse aspeto. Por vezes a equipa parece mastigar demasiado o jogo com muita posse, todavia, inconsequente, na zona intermediária.

   Pela negativa devo salientar o Gil Vicente FC, o Boavista FC e o Penafiel FC. Estas três equipas são, talvez, as mais frágeis do principal escalão do futebol nacional. Ainda sem qualquer ponto amealhado apresentam um futebol muito pobre, que em nada contribui para a competitividade do futebol nacional. No caso dos gilistas o mau arranque motivou, inclusive, a primeira chicotada psicológica em 2014/2015 com José Mota a substituir João de Deus.

Artigo escrito por: Adolfo Serrão
Imagens: zerozero.pt / lusogolo.com / ojogo.pt / abola.pt

4 de setembro de 2014

Futebol Global 2014/15: Para quê implementar mudanças profundas numa base de sucesso? (análise de 27 de agosto a 2 de setembro)

Reflexão: Duas competições, uma conquista (UEFA Super Cup, numa vitória por 2-0 sobre o Sevilla FC) e um deslize (Supercopa Española, após derrota por 2-1 no conjunto das duas mãos frente ao Atlético de Madrid). Eis o saldo do Real Madrid CF neste início de temporada 2014/15. Alguns meses depois da conquista da UEFA Champions League no Estádio da Luz, a equipa madrilena encara a nova temporada com o claro objetivo de conquistar as três competições em que estará inserida. Porém, os últimos tempos têm sido conturbados em Chamartín. Refiro claramente as opiniões contraditórias sobre a política desportiva do clube (Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos personificam esse combate de ideias, contribuindo cada vez mais para a progressiva deterioração de um balneário com problemas que se arrastam desde há vários anos) e uma abordagem apática no último mercado de transferências. De resto, as contratações e decisões efetuadas por Florentino Pérez nem parecem satisfazer os desejos e sugestões de Ancelotti nem elevam a qualidade já existente no passado recente (não colocando em causa a qualidade evidente dos novos reforços). Tratam-se de aquisições cuja finalidade é buscar o mediatismo, agradar aos inúmeros seguidores "merengues" e garantir uma boa receita em termos de marketing. Provavelmente Ronaldo terá razão quando afirma que «Se eu mandasse faria as coisas de forma diferente», mesmo que seja politicamente incorreto referir publicamente uma visão contrária à da administração do clube.

28 de agosto de 2014

Serie A 2014/15: o remar contra a obsoleta maré do Catenaccio

   Com a maioria dos campeonatos do Velho Continente a já terem arrancado, a primeira liga italiana, também conhecida como Calcio ou Serie A, será iniciada no último fim-de-semana de Agosto e com o habitual formato de vinte formações que se debatem em trinta e oito partidas. Com a Juventus FC a ser a grande favorita para dar seguimento ao seu tricampeonato e consolidar um recorde, a AS Roma e o SSC Napoli aprumaram-se tanto em quantidade como em qualidade individual e coletiva e prometem ser fortes ameaças ao trono dos "bianconeri". Com a ACF Fiorentina (com Mário Gómez pronto a exibir em pleno todos os predicados de goleador que lhe moldaram a carreira) e as formações milanesas FC Internazionale Milano e AC Milan destinadas a competir por um lugar europeu, não estarão isoladas pois tanto o Parma FC como a SS Lazio e o Torino FC se mostram com argumentos de vulto para animar uma competição que tem sido vista em quebra, com a fraca competitividade pelo primeiro lugar e pelos desempenhos menos assinaláveis num panorama europeu a comprovarem esta teoria e a urgir uma mudança de paradigma do estilo futebolístico imposto pela velha escola transalpina.

  Começando por uma análise pormenorizada do defeso de cada formação, saluta-se primeiramente a tricampeã Juventus FC, que sofreu uma debandada no comando técnico, com o herói da casa Antonio Conte a não acordar com a direção na política de contratações e a dar lugar ao fortemente contestado Massimiliano Allegri, ex-técnico e campeão pelo AC Milan na época de 2010/2011. Mantendo-se como a grande favorita para arrecadar o campeonato e, por conseguinte, o inédito tetra nos pergaminhos do clube por manter a base da equipa da temporada transata e por reforçar cirurgicamente algumas posições que careciam de menos soluções, como com o lateral esquerdo Patrice Evra, os médios Rômulo e Roberto Pereyra ou o avançado espanhol Alvaro Morata. Discutindo-se ainda mais entradas, outro dos objetivos desta campanha trata-se de um registo mais condizente com o historial dos turinenses na Liga dos Campeões.

   Numa segunda linha, seguem-se os restantes declarados candidatos ao título, com as equipas da AS Roma e SSC Napoli. A primeira, treinada pelo francês Rudi Garcia, mostrou surpreendentes níveis de consistência na temporada passada, acrescentou soluções ao plantel, tanto irreverentes (Juan Manuel Iturbe, estrela no Hellas Verona) como experientes (Ashley Cole ou Seydou Keita) e manteve as pedras basilares do êxito da campanha transata, tendo mais argumentos para a disputa vindoura. Quanto à formação do sul de Itália, o treinador Rafael Benítez possui um leque de ótimas individualidades mas que foi adquirindo processos coletivos consoante a época passada ia decorrendo, apesar de conquistar a Coppa Italia à Fiorentina. A ameaça proveniente desta equipa intensificar-se-à na problemática relativa ao título, apesar de ressentida com as saídas de Valon Behrami ou Pablo Armero.

   Nos lugares relativos à qualificação para os lugares europeus, podemos integrar clubes como os eternos rivais de Milão, FC Internazionale Milano e AC Milan, Parma FC, TorinoFC , ACF Fiorentina ou SS Lazio. A equipa do AC Milan não garantiu a presença nas competições europeias na passada temporada e foi vítima de uma remodelação ao nível da equipa sénior. Saiu Clarence Seedorf e entrou outro menino pródigo da casa dos rossoneri para o leme de uma estrutura com muitas caras novas, como Jérémy Ménez, Pablo Armero ou o campeão europeu Diego López. Quanto ao Inter, que já iniciou a sua época oficial na Liga Europa à semelhança do Torino, conseguiu dotar, a partir do técnico Walter Mazzari, o seu plantel de mais soluções, como o ingresso de Nemanja Vidic, de Daniel Osvaldo e outros elementos que, maioritariamente, figuraram como destaques da Serie A. A Fiorentina garantiu um posto na fase de grupos da Liga Europa após um campeonato algo oscilante mas cumprido, com Vincenzo Montella a estrear-se no comando de uma equipa profissional e a manter-se. Com Mario Gomez desta vez na máxima força e a querer prolongar o seu pecúlio goleador, a formação viola conseguiu uma pré-época praticamente imaculada e com vários registos interessantes diante de equipas de qualidade.

  Partido um pouco atrás das formações acima expostas, o Torino, que beneficiou da desqualificação do Parma da Liga Europa por incumprimento de prazos no pagamento de taxas, ingressou nesta e reforçou-se com elementos de larga experiência no futebol italiano como Cristian Molinaro, Antonio Nocerino ou Fabio Quagliarella, terá uma palavra séria a dizer no que toca a estes postos, com o veteraníssimo Giampiero Ventura a guiar esta equipa. O Parma, do central português Pedro Mendes, parte com um plantel pouco mexido neste defeso e será outra formação a ter em conta, assim como a Lazio, de Bruno Pereirinha, que conta com uma equipa matura e disponível para estas andanças, apesar do currículo do novo técnico Stefano Pioli deixar algo a desejar.

   Quanto às contas da permanência e com a Udinese do virtuoso Bruno Fernandes e do veterano Di Natale (treinados agora pelo italiano Stramaccioni), o Hellas Verona de Luca Toni e o Genoa um patamar acima das restantes; existem várias formações que vão animar a luta por estes lugares, relembrando que Livorno, Bolonha e Catania foram despromovidos ao inverso do Palermo, do Empoli e do Cesena e afigurando-se as formações do Chievo de Verona, do Cagliari, do Empoli e do Cesena como as mais propícias a acabarem na Serie B em Maio. Destacam-se algumas individualidades nas coletividades que se englobam nesta questão, como Domenico Berardi do Sassuolo a afirmar-se como um caso sério no ataque e afigurando-se como uma futura mais-valia na Squadra Azzurra ou o experiente Francesco Tavano, de 35 anos, que foi crucial na promoção do Empoli com 17 golos.

   Sistematizando, a Serie A dispõe de três grandes focos de interesse: a luta pelo título entre Juventus FC, AS Roma e SSC Napoli; o embate para a conquista dos lugares europeus entre FC Internazionale Milano, AC Milan, SS Lazio, Torino FC, ACF Fiorentina e Parma FC; e a fuga à despromoção à Serie B, com as restantes formações excluindo talvez a Udinese Calcio, o Hellas Verona FC e o Genoa CFC a fazerem parte do lote de integrantes nesta luta. Apesar de uma nova geração de treinadores emergir, as reformulações necessárias para se atingir voos outrora tangíveis a nível continental tardam em surgir, com ideias expostas ainda de forma tímida em equipas como a Fiorentina ou o Nápoles, que tentam jogar um futebol de posse, atrativo e com golo. Com a Juventus FC a ser ainda a única potência capaz de tanto dominar a nível nacional como imiscuir-se na competição por êxitos europeus, as teorias enraizadas da década de 90 vindas dos apologistas do Catenaccio ainda estão bem vincadas e a evolução, apesar de contar com algumas iniciativas, ainda requer alguma consistência e tempo para ser definitivamente estabelecida e sedimentada. Até lá, algumas faíscas vão iluminando um futebol ainda obsoleto e sem grandes noções práticas de ataque continuado, organizado e dinâmico.

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: sportefun.com / ansa.it / goal.com / forzaitalianfootball.com

27 de agosto de 2014

Futebol Global 2014/15: Confronto entre individualidades e coletivo é o maior desafio de Laurent Blanc (análise de 20 a 26 de agosto)

Reflexão: Nova época, ambições intactas. O PSG, clube adquirido pelo empresário Nasser Al-Khelaïfi em 2011 (com o objetivo de tornar os parisienses num dos clubes mais poderosos do Velho Continente), parte para 2014/15 com o objetivo primordial de conquistar o tricampeonato francês. Um feito que a confirmar-se será inédito na história do clube (conta apenas com quatro ligas gaulesas) e que apenas AS Saint-Étienne, Olympique de Marseille e Olympique Lyonnais conseguiram alcançar ao longo das setenta e cinco edições da Ligue 1. Na teoria o PSG terá como adversários diretos os milionários do AS Monaco FC (um dos novos ricos do futebol europeu orientado pelo português Leonardo Jardim), o renovado Olympique de Marseille (de Marcelo Bielsa) e o Lille OSC (terceiro classificado do último exercício).

20 de agosto de 2014

Futebol Global 2014/15: O bom filho a casa torna (análise de 13 a 19 de agosto)

Reflexão: Sete anos depois, Nani voltará a vestir de verde e branco. Como resultado da transferência de Marcos Rojo para o Manchester United FC o internacional português retorna ao clube no qual completou a sua formação,  se estreou ao mais alto nível e se moldou enquanto profissional e ser humano. O facto de ser um empréstimo até ao final da temporada favorece totalmente o clube lisboeta já que por um preço elevado Nani nunca regressaria a Alvalade e o Sporting CP dificilmente procuraria um  jogador com valências superiores ao português. Acrescentando o facto de o clube leonino estar completamente livre de encargos (os "red devils" irão pagar a totalidade do salário auferido por Nani) podemos muito bem considerar este como um dos melhores negócios do Sporting CP nos últimos anos. Um negócio resolvido com sucesso por Bruno de Carvalho cuja gestão tenta corrigir e diminuir os erros cometidos por direções anteriores. O percurso não é nada fácil e terá de ser construído com passos seguros (algo que vem sendo feito desde a sua ascensão em 2013). Como tal, o apelo à compreensão por parte da massa associativa é fundamental para que o clube recupere da grave crise que assolou Alvalade

13 de agosto de 2014

Futebol Global 2014/15: Será Islam Slimani assim tão insubstituível? (análise de 6 a 12 de agosto)

Reflexão: Os últimos dias têm sido conturbados no reino do leão. Alguns jogadores que se valorizaram no Mundial 2014, casos de Marcos Rojo e Islam Slimani, têm demonstrado vontade em deixar o clube de Alvalade. Neste artigo concentramos as atenções especificamente no caso do internacional argelino. 

8 de agosto de 2014

Espaço Entrelinhas: Rio Ave para a história!

“As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana”

  Este excerto de Os Lusíadas serve de mote para o Espaço Entrelinhas de esta semana. Um dia um conjunto de bravos portugueses aventurou-se além-mar e descobriu novas paragens, novos povos, novas culturas. Foi um momento glorioso da nossa história e um momento de afirmação de Portugal à escala global que Luís Vaz de Camões cantou de forma sublime nesta epopeia, imortalizando o heroico povo português.

  A evocação deste momento presente na memória coletiva de todos nós servir-me-á de ponto de partida para a análise ao atual momento do Rio Ave FC. O clube de Vila do Conde está a viver um dos momentos mais altos dos seus 75 anos de história. Conta com 20 presenças no convívio dos grandes, no mais alto escalão do futebol português. Após um período inicial de alguma intermitência entre subidas e descidas de divisão, o clube foi consolidando a sua posição na Primeira Liga. Irá iniciar a sua sexta temporada consecutiva como primodivisionário e o seu crescimento tem sido notório. Desde a última subida de divisão, que aconteceu na temporada 2007/2008, o Rio Ave alcançou o 12º lugar nas duas temporadas que se seguiram ficando situado, sensivelmente, a meio da tabela classificativa, um 8º lugar em 2010/2011, já “à porta” da Europa, um 14º lugar em 2011/2012, um sensacional 6º lugar na temporada 2012/2013 e um tranquilo 11º lugar na temporada transata.

  Sob o comando de Nuno Espírito Santo o Rio Ave fez duas das melhores épocas desportivas da sua história. O 6º lugar na Liga Zon Sagres alcançado em 2012/2013 apenas foi suplantado por um 5º lugar obtido na longínqua época de 1981/1982. A exigência e a competitividade do futebol português dos nossos dias é, todavia, completamente distinta da que se verificou no passado. O feito alcançado por si só já colocaria a época 2012/2013 na história do clube vilacondense. No entanto os feitos alcançados pelo jovem treinador em Vila do Conde não se ficaram por aqui visto que o Rio Ave em 2013/2014 regressou ao Jamor 30 anos depois para disputar a final da Taça de Portugal e conseguiu uma presença inédita na final da Taça da Liga. Em ambas as partidas acabou por perder perante o atual campeão nacional, o SL Benfica mas vendeu cara as derrotas.

  Fruto da temporada histórica e para grande alegria de todos os sócios e adeptos rioavistas e para a cidade de Vila do Conde, o Rio Ave qualificou-se pela primeira vez para uma competição europeia. Um prémio justo e a consolidação de um clube que já se pode considerar um histórico do futebol português. Quis a sorte que os suecos do IFK Gotemburgo apadrinhassem a estreia do clube português nas competições europeias. Um clube que conta no currículo com duas Taças UEFA (atual Liga Europa) conquistadas em 1981/1982 e 1986/1987.

  Um golo solitário do egípcio Ahmed Hassan deu a vitória ao Rio Ave na Suécia. O ponta de lança entrou assim na história dos vilacondenses ao tornar-se no primeiro jogador do clube a fazer o gosto ao pé na Europa do futebol. Estreia auspiciosa dos pupilos agora comandados por Pedro Martins. Após um bom trabalho efetuado na Madeira ao serviço do Marítimo, foi o homem escolhido para suceder a Nuno Espírito Santo que rumou ao Valência de Espanha. Na noite de ontem, a jogar perante o seu público, o Rio Ave confirmou a passagem ao playoff da Liga Europa num jogo que foi controlado desde o início e que culminou com um empate sem golos mas que teve sabor a vitória.

  Fez-se história em Vila do Conde. Tal como um dia os portugueses se aventuraram “por mares nunca antes navegados” também o Rio Ave, oriundo de uma terra descrita por José Régio como estando “entre pinhais, rio e mar” partiu à aventura. A sorte colocou novamente a Suécia como destino dos vilacondenses, desta vez para defrontar o Elfsborg.

  Aconteça o que acontecer o Rio Ave está a viver o período mais áureo da sua história. Não tendo grandes individualidades, faz do coletivo a sua principal arma. É notório o espírito de solidariedade e entreajuda entre os atletas que se apresentam em campo sempre de uma forma aguerrida. Vive-se um clima de festa em Vila do Conde!

  O próximo capítulo desta história escrever-se-á já no próximo domingo em Aveiro. O conjunto vilacondense irá reencontrar o SL Benfica. Em disputa estará a Supertaça Cândido de Oliveira num jogo que abrirá oficialmente a época 2014/2015.

Artigo escrito por: Adolfo Serrão
Imagens: fpf.pt / rioave.net / rr.pt

6 de agosto de 2014

Futebol Global 2014/15: É urgente criar condições para o jovem jogador português (análise de 30 de julho a 5 de agosto)

Reflexão: Finalizado o Campeonato da Europa U19 na Hungria, abre-se espaço para algumas notas. Portugal chegou à final da competição, tendo perdido pela margem mínima frente à congénere germânica. Focando na seleção orientada por Hélio Sousa, há que destacar algumas individualidades.