7 de outubro de 2014

Liga Portuguesa 2014/15 (7ª Jornada): Quintero quebrou a maldição dos empates

FC Penafiel vs Sporting CP (0-4) 
Islam Slimani 69’ e 71’, Fredy Montero 82’ e Nani 85’

Partida complicada para o Sporting CP, que apesar do domínio quase total do jogo, só conseguiu chegar à vantagem já depois do equador da segunda parte. Os "leões" apresentaram-se com um bloco muito subido e com um maior capacidade para ter a bola, enquanto o FC Penafiel adotou a postura típica das equipas do seu calibre frente a um "grande". No entanto, o Sporting CP não conseguiu explanar o domínio territorial em grandes oportunidades de golo (a mais significativa até acaba por ser dos penafidelenses, com Guedes a desperdiçar em boa posição, após um erro de Naby Sarr). No segundo tempo as substituições de Marco Silva acabaram por dar frutos. Adrien Silva deu agressividade e critério de passe ao meio-campo leonino (é preponderante na equipa, sobretudo com William Carvalho num mau momento de forma), enquanto Fredy Montero veio criar outro tipo de dificuldades à equipa visitada. A jogar entrelinhas e no apoio ao ponta-de-lança, o colombiano foi a unidade livre do ataque leonino, permitindo tabelas com os extremos e abrindo outros espaços para Islam Slimani. Sensivelmente uma dezena de minutos após a vinda de Montero a jogo, o internacional argelino recebeu o primeiro cruzamento bem medido e não perdoou. A turma de Rui Quinta acabou por se desmoronar e em pouco tempo o Sporting CP construiu uma goleada. Destaque para Marco Silva (ganhou o jogo a partir do banco, sendo que mexeu mais cedo e acabou por ter sucesso), bem como para as exibições de Paulo Oliveira (ganhou todos os duelos no primeiro jogo como titular), Slimani (desbloqueou o jogo e mesmo a nível colectivo está mais participativo), Nani (a influência que tem na equipa é notória) e para as entradas de Montero (veremos como evoluirá após este regresso aos golos) e Adrien Silva, que revolucionaram o jogo. Por outro lado, o FC Penafiel mostrou-se uma equipa aguerrida e compacta, mas com um défice técnico preocupante para este nível competitivo. O trio atacante é bastante rápido mas pouco consequente, No entanto, a dupla Ferreira-Rafa merece nota positiva (anularam o meio-campo leonino, essencialmente na primeira parte).

FC Porto vs SC Braga (2-1)
Bruno Martins Indi 25' e Juan Fernando Quintero 59'; Zé Luís 32'

Excelente partida na cidade Invicta entre duas das melhores equipas portuguesas. Lopetegui voltou a apostar em Iván Marcano na 'posição seis' e recolocou Jackson no "onze", mas a verdade é que os primeiros quarenta e cinco minutos não entusiasmaram o tribunal do Dragão. Por sua vez, o SC Braga apresentou-se personalizado, organizado e sempre com a baliza na mira através das suas saídas rápidas. Apesar das dificuldades em reter a habitual posse de bola, os "dragões" abriram o marcador por intermédio de Martins Indi na sequência de um canto. Pouco depois, Zé Luís aproveitou um mau passe de Yacine Brahimi e alguma inoperância dos centrais portistas para restabelecer a igualdade. Até ao intervalo, o FC Porto acentuou a pressão, teve uma bola na barra (remate de Danilo) e um golo retirado em cima da linha por Aderlan Santos. O resultado não agradava e mais uma vez as substituições voltaram a ter o seu peso. Lopetegui retirou o adaptado Marcano (cumpre posicionalmente, mas com o empate a persistir são necessárias outras características naquela posição) e o desaparecido Herrera (voltou a estar em dia não) e lançou os jovens Rúben Neves e Quintero. O colombiano, como é apanágio, trouxe outra alegria ao jogo "azul e branco" e conseguiu desequilibrar. Após duas perdidas protagonizadas por Felipe Pardo e Rafa, o executante natural de Medellín fez o 2-1 num remate cruzado. Os "bracarenses" ainda dispuseram de algumas ocasiões para levar no mínimo um ponto (nomeadamente num livre ao poste de Santos), mas o resultado estava decidido. No lado "azul e branco", destaque para as exibições de Danilo (muito importante no apoio ao ataque), Brahimi (o homem ofensivo mais preponderante, embora nem sempre tenha decidido bem), Óliver (imprescindível no meio-campo) e Quintero (revolucionou com a sua qualidade técnica e criatividade, pedindo mais minutos ao treinador). Nos minhotos, Aderlan Santos e André Pinto realizaram uma partida competente no eixo defensivo. Danilo foi uma âncora no meio-campo, Tiba foi muito útil nos capítulos da retenção e transporte do esférico e Zé Luís voltou a lutar muito e marcar, tendo somado mais pontos na luta pela titularidade (a vida complica-se para Éder). Ainda assim, o SC Braga fica a dever a si próprio a obtenção de um resultado positivo neste jogo.

SL Benfica vs FC Arouca (4-0)
Anderson Talisca 75', Derley 80', Eduardo Salvio 83' e Jonas 88'

O SL Benfica deu seguimento ao bom arranque de campeonato somando a sua sexta vitória (quarta consecutiva), mantendo desta forma a vantagem pontual para os principais rivais. Porém, o resultado não espelha as dificuldades encontradas pelo campeão nacional frente a um FC Arouca bem organizado e que criou várias ocasiões para marcar. Artur Moraes vestiu a pele de herói numa primeira parte em que os encarnados apresentaram um nível paupérrimo (tal como tinha acontecido frente ao Moreirense FC). No segundo tempo os comandados de Jorge Jesus apresentaram maior intensidade e qualidade de jogo, mas só dentro do último quarto de hora conseguiram desbloquear o marcador (a partir do primeiro golo, tudo se tornou mais fácil). Tem sido um início de época atípico do Benfica, com alguma intermitência no setor defensivo e na própria qualidade de jogo, mas simultaneamente com altos índices de finalização e de pressão sobre os adversários. A paragem para os compromissos internacionais teoricamente surge num bom momento, permitindo assim a recuperação física de alguns jogadores. Nota para as boas exibições de Talisca e Derley (tem ganho pontos face a Lima) e para as entradas positivas de Ola John e Jonas. No arouquenses realçar a atitude positiva como encararam a partida, mas também a qualidade demonstrada por alguns dos seus intérpretes (Mauro Goicoechea revelou-se ágil e seguro na baliza, Nildo encheu o terreno e Artur evidenciou-se pela sua técnica e visão de jogo).

Lado B: Nas restantes partidas, o Vitória SC voltou às vitórias, subindo ao terceiro lugar da tabela classificativa, com Jonatan Álvez a assumir papel de destaque na equipa do Berço (bastante veloz, agressivo e com faro de golo) num duelo marcado pela expulsão de Philipe Sampaio e pelas debilidades técnicas evidenciadas pelo conjunto "axadrezado". Em Paços, continua a caminhada triunfal de Paulo Fonseca ao leme da equipa – em 37 jogos no campeonato ao serviço da equipa da Capital do Móvel, apenas perdeu com SL Benfica e FC Porto, um registo simplesmente sensacional – desta feita frente ao CS Marítimo. Bruno Moreira e Maazou bisaram, Edson Farias foi nuclear na reviravolta, enquanto a ala esquerda pacense continua em grande (com um Hélder Lopes revigorado em comparação com a época transata e Urreta a mostrar que é uma mais-valia para o clube). Académica e Moreirense FC anularam-se em Coimbra, num jogo pouco interessante (com os estudantes a nunca encontrarem maneira de transpor a organização da equipa de Miguel Leal) e o Gil Vicente FC continua sem ganhar, desta feita com um empate frente ao GD Estoril Praia (que apesar de vir em crescendo, continua longe dos patamares da era Marco Silva). Quem também não tem encontrado o rumo desejado é o CD Nacional, que se vem cimentado como principal desilusão do campeonato (e o conjunto na teoria até é mais forte do que o da época passada). Por fim, Belenenses e Vitória FC empataram a uma bola (com Domingos Paciência a reforçar a aposta em jogadores nacionais em detrimento de alguns nomes “sonantes” que chegaram ao Sado esta época, mas que pouco têm demonstrado para possuírem esse estatuto).

Equipa da Semana (4-3-3): Artur Moraes (SL Benfica); João Aurélio (CD Nacional), André Vilas Boas (Rio Ave FC), Aderlan Santos (SC Braga) e Jefferson (Sporting CP); Anderson Talisca (SL Benfica), André André (Vitória SC) e Filipe Gonçalves (GD Estoril Praia); Jonatan Álvez (Vitória SC), Islam Slimani (Sporting CP) e Bruno Moreira (FC Paços de Ferreira)

Artigo escrito por: Tiago Martins
Imagens: maisfutebol.iol.pt

6 de outubro de 2014

Rescaldos d'esféricos: A alteração paradigmática do “treinador português”

Com o término da sétima jornada da Liga Portuguesa, algumas ilações podem ser retiradas quanto às metodologias utilizadas pelos timoneiros de cada um dos dezoito clubes. Alguns estreantes (Miguel Leal, Rui Quinta ou Leonel Pontes), outros com experiência em "grandes" do futebol luso e dispostos a relançar as suas carreiras (Domingos Paciência, Paulo Fonseca ou Paulo Sérgio). Um aglomerado de treinadores dispostos a lutar pelos três pontos em cada partida que disputa, não se amedrontando perante adversários de maior envergadura.

Após carreiras como futebolistas, muitos destes enveredam pela continuação no mundo do futebol, alguns com mais apetência pelo escritório e outros pela liderança e gestão de outros jogadores. É neste ponto que há bastantes opiniões positivas quanto ao treinador português (com projeção europeia como José Mourinho, André Villas-Boas, Leonardo Jardim ou Paulo Sousa) e que tem sabido readaptar-se às mudanças do futebol europeu. À procura de um futebol mais fluído, atrativo e com vontade de amealhar os três pontos em cada jogo, o protótipo do “treinador português” tem sofrido remodelações, criando argumentos para sustentar a ascensão de qualidade e de equilíbrio do desporto-rei no país de Camões. Exemplos práticos deste caso são equipas como CS Marítimo, FC Paços de Ferreira, Académica ou Vitória SC que, não só se preocupam com os três pontos de início ao fim de cada partida, mas também com conceitos como a retenção e a objetividade da posse de bola, um futebol de ataque fortemente suportado pelo desdobramento dos seus laterais e aposta nos flancos, que servem de forma consistente os seus elementos mais avançados à procura do máximo de golos possível. Com plantéis por vezes bastante limitados, as equipas do campeonato nacional paulatinamente vão abdicando da obsessão com a organização defensiva e buscam dotar os seus atletas de mais noções ofensivas e de circulação de bola de forma pragmática e segura, envolvendo neste processo todos os onze futebolistas em campo. Uma resposta afirmativa vem sendo dada à mudança de máximas de sucesso em termos táticos num contexto nacional e internacional, com a fluidez de jogo e a assertividade a crescerem a olhos vistos após modelos como o "tiki-taka" virem à baila nesta celeuma. 

Portugal é o país mais representado na UEFA Champions League em termos de treinadores (cinco) e vem sendo um viveiro de técnicos com ideologias de futebol positivo, atrativo, de posse e com forte propensão ofensiva, abdicando muitos deles da rotineira perspetiva do “pontinho” e lutando em pé de igualdade com qualquer formação, seja ela do escalão distrital ou um tubarão europeu. A evolução francamente positiva das performances registadas por formações portuguesas num contexto continental deixam essa impressão, com três finais europeias em quatro épocas (uma delas com a participação de FC Porto e SC Braga). Rasgados elogios são tecidos a um trabalho que vem sendo desenvolvido desde a partida de José Mourinho para Inglaterra em 2004 e com muitos outros a seguirem-lhe naturalmente as pisadas. Enquanto a economia portuguesa continua em recessão, eis um recurso endógeno onde Portugal vem sendo um dos principais exportadores de matéria-prima e, em si incutidos, de recursos que permitem o recrudescimento de adeptos do famigerado “futebol bonito”.

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagem: abola.pt

3 de outubro de 2014

Uma nova era na Seleção Nacional

Os números não podiam ser mais esclarecedores: doze dos jogadores que estiveram no último Campeonato do Mundo ficaram de fora (onze se tivermos por base o jogo com Albânia), entre eles alguns elementos que integravam o onze-base de Paulo Bento (João Pereira, Miguel Veloso, Raúl Meireles e Hélder Postiga). Eis a lista de convocados apresentada esta sexta-feira pelo selecionador nacional Fernando Santos:

Guarda-redes: Rui Patrício (Sporting CP), Anthony Lopes (Olympique Lyonnais) e Beto (Sevilha FC);

Defesas: Cédric (Sporting CP), Ivo Pinto (GNK Dinamo Zagreb), Pepe (Real Madrid CF), Bruno Alves (Fenerbahçe SK), José Fonte (Southampton FC), Ricardo Carvalho (AS Monaco FC), Eliseu (SL Benfica), Fábio Coentrão (Real Madrid CF) e Antunes (Málaga CF);

Médios: William Carvalho (Sporting CP), Tiago (Club Atlético de Madrid), João Moutinho (AS Monaco FC), André Gomes (Valencia CF), Adrien (Sporting CP) e João Mário (Sporting CP);

Avançados: Ricardo Quaresma (FC Porto), Nani (Sporting CP), Vieirinha (VfL Wolfsburg), Cristiano Ronaldo (Real Madrid CF), Danny (FC Zenit St. Petersburg) e Éder (SC Braga).

Fernando Santos passou das palavras à ação, protagonizando uma autêntica revolução na lista de convocados. Apesar de nem todos os nomes serem consensuais, é agradável constatar dois aspetos: a rutura com os inúmeros casos que Paulo Bento foi acumulando ao longo do seu percurso (a maioria deles sem justificação plausível) e a importância dada ao ritmo competitivo dos jogadores chamados (ao contrário do que sucedia anteriormente, com alguns elementos a merecerem confiança sem sequer jogarem pelos respetivos clubes).

Entre as novidades, destacar a estreia de José Fonte e os regressos de Tiago e Danny, elementos que acrescentam muita qualidade ao elenco nacional (aliás, na teoria todos cabem no melhor onze). Elementos como Ricardo Carvalho (por toda a experiência que abarca ao mais alto nível) e Ricardo Quaresma (não obstante de ter um feitio complicado e de estar a rubricar um mau início de temporada, é um jogador capaz de decidir partidas com a sua excelente técnica) poderão ser importantes, e certamente darão mais garantias (neste momento) que Ricardo Costa, Luís Neto, Ricardo Horta ou Ivan Cavaleiro.

Posto isto, será interessante perceber como irão ser organizadas as peças no onze. Elementos como Rui Patrício, Fábio Coentrão, Pepe, Cristiano Ronaldo e Nani deverão manter-se na equipa enquanto tudo o resto está sujeito a mudanças: Bruno Alves tem a titularidade em risco com a concorrência de Ricardo Carvalho e José Fonte. Já na lateral direita, Cédric Soares leva vantagem sobre Ivo Pinto. No meio-campo, o único elemento anteriormente indiscutível é um dos que está em pior forma (João Moutinho) e no sector ofensivo será interessante perceber como irá encaixar-se o trio Danny-Nani-Ronaldo (daí ter lógica a implementação de outro sistema, até porque o único ponta-de-lança de raiz na convocatória neste momento nem indiscutível é no SC Braga).  

Artigo escrito por: Tiago Martins
Imagens: record.xl.pt / desporto.sapo.pt

2 de outubro de 2014

Futebol Global 2014/15: Pellè é um verdadeiro "case study" (análise de 24 a 30 de setembro)

Reflexão: Após o brilhante oitavo posto alcançado na pretérita edição da Barclays Premier League, o Southampton FC aparece com modificações significativas para a época 2014/15. O lote formado por Calum Chambers, Dejan Lovren, Luke Shaw, Adam Lallana e Rickie Lambert rendeu cerca de cento e vinte milhões de euros aos cofres dos "saints", enquanto Mauricio Pochettino abandonou o comando técnico da formação encarnada para ingressar no Tottenham Hotspur FC. Para o seu lugar chegou Ronald Koeman, conceituado técnico holandês que conta com uma passagem pelo SL Benfica. De resto, o ex-treinador do Feyenoord veio para o St. Mary's Stadium acompanhado do ponta-de-lança de vinte e nove anos Graziano Pellè (custou uma verba a rondar os dez milhões de euros). O transalpino (tem contrato válido até 2017), juntamente com Shane Long e o regressado Emmanuel Mayuka, tentará ao longo do presente exercício esquecer a enorme falta que Lambert certamente fará (pelo menos ao nível da finalização). Para já a conjuntura é perfeitamente favorável: Pellè leva cinco golos e duas assistências em oito jogos (distribuídos pela Barclays Premier League e Capital One Cup) e tem guiado os "saints" a um excelente arranque de temporada (o melhor do clube desde a longínqua época 1983/84). 

30 de setembro de 2014

Liga Portuguesa 2014/15 (6ª Jornada): Um duelo de contrastes

Sporting CP vs FC Porto (1-1)
Jonathan Silva 2'; Mouhamadou-Naby Sarr (ag) 56'

A jornada seis trouxe-nos como cabeça-de-cartaz um escaldante Sporting CP vs FC Porto, partida marcada por uma grande intensidade, ocasiões parte-a-parte mas com o resultado a não agradar especialmente nenhuma das equipas intervenientes (o FC Porto somou o terceiro empate consecutivo enquanto o Sporting CP averba apenas duas vitórias em seis partidas). Os "leoninos" fizeram uma grande primeira parte, com muita fluidez na circulação de bola e com os extremos muito ativos no jogo, mas na segunda metade os "dragões" equilibraram as operações, com as entradas de Óliver Torres e de Cristian Tello a terem forte impacto na mudança no cariz de jogo (as debilidades defensivas do Sporting também ajudaram). André Carrillo fez uma partida fantástica (um dos melhores jogos de leão ao peito), João Mário voltou a acrescentar qualidade no miolo e Patrício segurou o empate nos derradeiros minutos da partida. Nos "dragões", destacar a boa partida da dupla de centrais (exímia no jogo aéreo) e as entradas de Óliver Torres e Cristian Tello. Duas notas finais: no Sporting CP, fica a ideia que apesar dos resultados menos positivos, a equipa até tem exibido um futebol mais atrativo e exercido um maior caudal atacante, mas para se obter outro tipo de resultados aspetos como a finalização (podiam ter sentenciado o jogo na primeira parte, já para não falar de outras partidas onde o desperdício foi evidente) e a linha defensiva (com Sarr-Maurício será complicado ambicionar títulos) terão que forçosamente melhorar. Já no FC Porto, apesar da qualidade do plantel e de bons momentos já protagonizados pela equipa, fica a ideia que o futebol é por vezes bastante “mastigado”, com várias trocas de passes na linha defensiva, que para além de não ser objetiva ofensivamente, ainda põe a equipa em maior perigo defensivo.

GD Estoril Praia vs SL Benfica (2-3)
Diogo Amado 38’ e Kléber 53’; Anderson Talisca 3’ e 8’ e Lima 70’

O grande beneficiado do desfecho do clássico foi indubitavelmente o SL Benfica, que conseguiu trazer os três pontos da Amoreira. Tal como têm acontecido em outras partidas, o SL Benfica entrou bastante pressionante na partida e acabou por chegar rapidamente a uma vantagem de dois golos (com muita passividade do GD Estoril Praia à mistura). Porém, o jogo estava longe de estar resolvido: com o crescimento de Kuca e principalmente Kléber, os canarinhos criaram boas ocasiões de golo e acabaram por chegar ao empate, e não fosse a expulsão de Cabrera os"encarnados" teriam bastantes dificuldades em levar de vencida a partida. De notar a seriedade com que as "águias" têm encarado todas as partidas, fato essencial no bom momento de forma da equipa. Agora, é um fato que apesar da maior organização colectiva se tivermos em termo de comparação igual período da época passada, é evidente que quando se passa de Garay para Jardel ou mesmo Siqueira para Eliseu (defensivamente falando) é natural que a equipa se ressinta, ainda para mais quando Júlio César tem atravessado problemas físicos (Artur já comprometeu novamente esta época) e Samaris ainda não está devidamente entrosado na equipa. Destaque para mais uma exibição positiva de Talisca e para nova entrada positiva de Derley no jogo. Nos "canarinhos", a partida deixou indícios que a equipa tem potencial para augurar o primeiro terço da tabela classificativa. Curiosamente, a linha defensiva – setor que menos se alterou em relação à época passada – é o que tem estado em pior nível, com falhas constantes de passes e falta de agressividade na abordagem dos lances. 

Lado B: Nos restantes jogos, o SC Braga deu seguimento ao registo 100% vitorioso em seu território, com Danilo (um médio defensivo com capacidade construtiva acima da média), Pedro Tiba (a denotar-se como melhor jogador da equipa até ao momento) e Zé Luís (poderá ter ganho a titularidade, com mais uma prestação positiva) a destacarem-se, num jogo marcado pela expulsão precoce (e exagerada) de Emmanuel Boateng, que complicou bastante o jogo aos vilacondenses (de notar ainda assim a boa prestação de Cássio e a boa organização defensiva até ao primeiro golo sofrido). No Bessa, mais uma vitória do crer, da ambição e da raça de um conjunto que tem surpreendido, face à qualidade dos executantes (provavelmente o pior plantel da liga) e ao pouco entrosamento dos jogadores (a equipa foi construída quase a partir do zero). Anderson Carvalho e Mika foram novamente as duas figuras do encontro, marcado também pelo regresso do “histórico” Fary (que ainda esteve no lance decisivo do encontro). No Gil Vicente FC, destaque para a exibição de Simy Nwankwo (ao nível do que tinha feito no Portimonense SC) que contrastou com a maioria dos seus companheiros. 

Na Madeira, num duelo que se adivinhava equilibrado, o CS Marítimo cilindrou o Vitória SC com uma primeira parte imaculada. Danilo foi o pêndulo de uma equipa que contou com os endiabrados Rúben Ferreira, Fransérgio e Maazou, enquanto nos vimaranenses, Nii Plange foi o rosto de uma exibição horrível, e que coloca a nu bastantes fragilidades defensivas da equipa. Os comandados de Leonel Pontes massacraram autenticamente aquela que vinha sendo até à data uma das boas surpresas do campeonato. Notável a rapidez com que os jogadores assimilaram as ideias de um novo treinador e de um novo sistema! Equipa muito compacta, que gosta de assumir o jogo e que protagoniza momentos de grande futebol. Num duelo entre equipas instáveis, levou a melhor o Vitória FC que soma assim uma vitória importante (num período onde Domingos Paciência já começava a ser contestado) frente a um irreconhecível CD Nacional (Kiko, Lupeta e Zequinha destacaram-se pela positiva). Está a ser um começo dececionante da equipa madeirense. Com a manutenção da equipa técnica, do grosso da equipa base do ano passado e até com a chegada de algumas mais-valias, esperava-se que os pupilos de Manuel Machado produzissem outro tipo de futebol e estivessem bastante acima da tabela classificativa (até porque ainda não jogaram com nenhum dos “grandes” neste arranque de temporada). Defesa desequilibrada, poucas ideias na criação ofensiva, displicência na abordagem das bolas paradas defensivas etc.etc. Um inicio para esquecer por parte do Nacional. 

A Académica estreou-se a vencer em Arouca, com o inevitável Rui Pedro a assumir o papel principal, enquanto FC Penafiel e Moreirense FC anularam-se num duelo marcado pelo pragmatismo dos treinadores, que resultou num futebol bastante calculista e muito disputado a meio-campo. No fecho da jornada, o FC Paços de Ferreira privilegiou sempre um futebol positivo e alcançou a sua primeira vitória caseira, com um jogo bastante conseguido coletivamente (Urreta e Hélder Lopes destacaram-se) frente a um Belenenses que raramente colocou em causa a superioridade pacense.

Equipa da Semana (4-4-2): Mika (Boavista FC); Jaílson (FCPaços de Ferreira), Rúben Ferreira (CS Marítimo), Ricardo (FC Paços de Ferreira) e André Pinto (SC Braga); Danilo Pereira (CS Marítimo), Fransérgio (CS Marítimo), Jonathan Urretavizcaya (FC Paços de Ferreira) e Rui Pedro (Académica); Anderson Talisca (SL Benfica) e Jucie Lupeta (Vitória FC)

Artigo escrito por: Tiago Martins
Imagens: zerozero.pt / tvi.iol.pt

29 de setembro de 2014

Rescaldos d'esféricos: FC Schalke 04 e Borussia Dortmund - Um triunfo esforçado perante um Dortmund frustrado

Veltins Arena, Gelsenkirchen. Sexta jornada da 1. Bundesliga. O FC Schalke 04, vindo de um triunfo por 3-0 em Bremen, recebeu o seu maior rival Borussia Dortmund, que empatara na jornada anterior diante do VfB Stuttgart. O histórico Revierderby permitia, em caso de vitória, à equipa da casa ultrapassar na tabela classificativa o seu oponente. Numa primeira parte eficiente por parte do adversário do Sporting CP na fase de grupos da UEFA Champions League, a formação orientada por Jens Keller soube também sofrer (Ralf Fährmann protagonizou uma exibição fantástica) e conquistou os três pontos, vencendo por 2-1 e fazendo uso dos lances de bola parada para arrecadar o triunfo.

Os "mineiros" entraram com muita iniciativa e vontade de resolver cedo a contenda. Dispuseram de várias oportunidades para construir um resultado volumoso e concretizaram dois lances de bola parada. Klaas-Jan Huntelaar não esteve nos seus dias aquando do enquadramento com a baliza defendida pelo veterano Roman Weidenfeller, enquanto Max Meyer, Eric Choupo-Moting e Kevin-Prince Boateng colocaram a defesa dos visitantes em sobressaltoOs pupilos de Jürgen Klopp foram surpreendidos com a postura encetada pelo adversário e tentaram empregar desequilíbrios pelos flancos (de onde surgiu o golo, por parte do inconformado Pierre-Emerick Aubameyang, apesar de acarretar responsabilidades no segundo tento dos homens de Gelsenkirchen), conseguindo equilibrar as forças a partir do primeiro e único remate certeiro e impondo de forma mais assertiva o seu jogo.

Com o parcial a registar uma desvantagem de duas bolas a uma no interlúdio da partida, o irreverente técnico alemão Klopp incutiu uma atitude mais positiva e atrevida dos seus homens e, perante a exibição inspirada da linha defensiva dos visitados (em especial do seu guardião), não perdeu pela demora e refrescou a sua equipa com as entradas das peças ofensivas Shinji Kagawa e Miloš Jojić, abdicando do goleador Ciro Immobile e de Kevin Grosskreutz. Assim, o segundo classificado da passada edição da liga germânica tentava conferir mais bola no processo ofensivo e criar perigo de forma mais sustentada e racional para chegar ao empate com sucesso. Apesar da notória influência e do alto pendor ofensivo da equipa de Dortmund, a sorte não sorriu aos "borussers", que tiveram pela frente um grupo de jogadores extremamente bem organizado, sem permitir veleidades de maior e fechando espaços com grande regularidade. Os avançados Adrián Ramos e Ciro Immobile dispuseram de poucas oportunidades evidentes, apesar de Aubameyang dar água pela barba através do seu vigor e virtuosismo, parecendo estar omnipresente nos momentos decisivos. Mas quase sempre o Borussia esbarrou na muralha de Fährmann, guarda-redes que comemorou o seu vigésimo sexto aniversário no dia da partida e que, motivado, disse presente em mais um jogo decisivo, prendendo nas suas luvas os tão desejados três pontos.

Com este desfecho, o FC Schalke 04 ascende à décima posição, após um arranque frustrado e uma série de quatro encontros sem vencer, enquanto o Borussia Dortmund cai para o décimo segundo e acresce para três o número de partidas em que não vence para a 1. Bundesliga. Com equipas como o VfL Borussia Mönchengladbach ou o Bayer 04 Leverkusen em crescendo, e com o já crónico FC Bayern Münich a liderar de forma isolada, esta foi uma partida decisiva em que urgia a necessidade de vencer para qualquer uma das equipas. O toque de fortuna esteve nesta partida com a formação do FC Schalke 04, que podia muito bem ter repartido os pontos com o seu oponente ou mesmo ter ficado sem qualquer um dos amealhados. Os jovens treinados por Jens Keller mantêm-se solventes por mais uma jornada, apesar de não convencerem veementemente em jogo jogado. Já o Borussia Dortmund atravessa um momento mais delicado, mascarado na soberba partida diante do Arsenal na primeira ronda da fase de grupos da UEFA Champions League. Ainda a suspirar por Robert Lewandowski, a massa associativa "borusser" começa a exibir alguma impaciência com a tardia afirmação dos novos homens destacados para o golo: Ciro Immobile (vindo do Torino CF) e de Adrián Ramos (assegurado desde a segunda metade da temporada transata). O Dortmund necessita de refinar alguns dos seus mecanismos de jogo, especialmente no que toca ao posicionamento defensivo em lances de bola parada, à eficácia e ao fornecimento da maior rigor e critério na construção ofensiva (Kagawa é o reforço ideal para garantir esses tempos e momentos)Uma questão para conferir, numa 1. Bundesliga que promete ser bastante intrigante. 

Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: dw.de / rediff.com

24 de setembro de 2014

Futebol Global 2014/15: A escolha mais acertada (análise de 17 a 23 de setembro)

Reflexão: Decisão oficializada. Fernando Santos é o novo selecionador nacional, substituindo assim Paulo Bento no cargo deixado em vago após a derrota consentida frente à Albânia. Em conferência de imprensa realizada na sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes afirmou que Ilídio Vale, até então coordenador técnico das seleções de formação nacionais, irá assumir o cargo de treinador da "equipa das quinas" até que o castigo de oito jogos aplicado ao ex-selecionador da Grécia seja cumprido na totalidade. Numa clara distinção de posições, Santos será o selecionador. Porém, em termos práticos, a suspensão supracitada (cujo recurso foi rejeitado pelo Comité de Apelo da FIFA) só impede que o técnico natural de Lisboa se sente no banco em toda a fase de grupos de qualificação para o Europeu 2016, salvo uma decisão favorável por parte do Tribunal Arbitral do Desporto. Ricardo Santos, Fernando Justino e João Carlos Costa completam a restante equipa técnica. Aos cinquenta e nove anos o "engenheiro" alcança  um feito que até então pertencia somente ao brasileiro Otto Glória: liderar os plantéis de SL Benfica, Sporting CP e FC Porto, bem como a seleção principal portuguesa. 

22 de setembro de 2014

Rescaldos d'esféricos: PSG e Olympique Lyonnais - Um golpe que desnuda as feridas de um gigante milionário

Parc des Princes, sétima jornada da Ligue 1. O alinhamento ditava um encontro tradicionalmente grande mas presentemente mais desnivelado. A formação do PSG, assumida como a mais evidente candidata ao título e com um plantel bastante apetrechado, recebeu o Olympique Lyonnais, uma equipa que contraria o seu prestigiado histórico no início do presente século e que não se apresenta com o mesmo tipo de recursos. A igualdade de 1-1 não só expôs algumas debilidades do técnico parisiense Laurent Blanc mas também uma ponta de sorte que resultou numa ebulição emocional da equipa visitada após um domínio em termos de posse (63% após níveis próximos a 75% na primeira parte) a seu bel-prazer.

Com um primeiro período totalmente controlado pelo PSG e à procura de uma vantagem suficiente para garantir o triunfo, o golo foi conseguido por Edinson Cavani após um grande cruzamento do lateral esquerdo Lucas Digne e que perturbou o guardião português Anthony Lopes (que teve algumas hesitações durante o encontro) e os restantes companheiros. As individualidades faziam naturalmente a diferença aliadas a um coletivo já bem rotinado, com somente Yohan Cabaye a ter menos de um ano na formação da capital francesa, com Marco Verratti e Blaise Matuidi a conferir os equilíbrios devidos e a circulação de bola segura e pela certa e com Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani a colocar grandes sobressaltos aos laterais de Lyon, apesar do sueco Zlatan Ibrahimovic não conseguir colocar os seus argumentos de irreverência em campo, tendo sido algo incerto na finalização.

O momento chave que mudou o rumo da partida e que gerou algumas críticas às opções de Laurent Blanc foi abdicar da possibilidade de cimentar a curta vantagem e de trocar elementos de maior virtuosismo por outros de maior contenção e de menor capacidade de desequilíbrio (Yohan Cabaye deu o seu lugar a Thiago Motta e Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani foram poupados em detrimento de Lucas Moura e Javier Pastore. O PSG baixou os seus níveis de posse e baixou mais as linhas, dando azo a esperanças de alcançar o empate por parte dos pupilos de Hubert Fournier. As entradas do internacional camaronês Henri Bedimo e da eterna promessa do futebol francês Yohan Gourcuff deram outra dimensão ao futebol dos forasteiros, com estes a criar mais perigo e sobressaltos à linha defensiva da casa, com o guardião italiano Salvatore Sirigu a realizar duas intervenções de vulto. O golo dos visitantes acabaria por surgir por intermédio do defesa-central Samuel Umtiti, com a ajuda de um desvio do também central brasileiro Marquinhos, onde foi evidente alguma incoerência posicional e falhas ao nível da agressividade e da interpretação do lance.

A partida terminou com um evidente ascendente do Olympique Lyonnais, mostrando que abortar de consolidar o resultado por parte do PSG foi uma fatura bem cara de ser paga e esfumou-se a oportunidade dos parisienses de se destacarem na classificação. Com o segundo empate consecutivo, os atletas treinados por Blanc encontram-se no cinco posto, enquanto os de Fournier militam no 12º. Com um resultado que agrada mais aqueles que visitaram o reduto do Parc des Princes, o PSG ainda não encontrou o antídoto para atenuar lapsos que foram escassos na época passada, onde se exibiu de forma arrasadora época passada. Com uma regularidade inicial patenteada por parte de candidatos diretos como Olympique de Marseille (quatro vitórias consecutivas) ou FC Girondins de Bordeaux, esta Ligue 1 promete ser mais aliciante do que inicialmente se previa.

Artigo escrito por: Lucas Brandão
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