Após um 2014 recheado de investimentos (e desinvestimentos), o futebol não perdeu o seu encanto e o motor que leva milhares a frequentar semanalmente os estádios dos seus clubes perdura sem perder gás. A modalidade que fascina multidões regenera-se a cada ano que passa e este não foi exceção, com projetos revitalizadores e outros com investimentos colossais que arrecadaram de uma assentada talentos individuais de grande virtuosismo.
Arrigo Sacchi afirmou que "O futebol é a coisa mais importante dentro das menos importantes". Um grupo de jovens estudantes universitários corrobora estas palavras e propõe uma assistência com um Passe de Letra.
4 de janeiro de 2015
24 de dezembro de 2014
Brincando com o fogo
Fim-de-semana tenso para os lados de Alvalade. Tudo começou com uma desajustada conferência de imprensa do presidente Bruno de Carvalho na passada sexta-feira. Segundo o líder máximo dos leões, o plantel é melhor do que a imprensa tem veiculado, sendo, na sua ótica, mais do que suficiente para atingir os objetivos traçados no início da época. Além disso, negou a possibilidade de adquirir reforços em Janeiro e, como que em tom de gozo, ofereceu meia equipa B ao treinador. Por fim, pediu ainda explicações a “alguém” que não tem assumido as suas responsabilidades. Destas palavras depreende-se uma crítica implícita à equipa e a Marco Silva. O treinador dos leões não se encolheu e com um discurso corajoso afirmou que quando tem algo a dizer, prefere dizê-lo cara a cara, tendo admitido que a equipa ficou intranquila com este bate-boca. Por fim, esta terça-feira, Augusto Inácio afirmou que não se passa nada, apenas poeira no ar.16 de dezembro de 2014
City Football Academy: O sonho de uma cidade
Setembro de 2008. Sheikh
Mansour compra o Manchester City FC, prometendo gastar parte da sua
inesgotável fortuna no crescimento do clube. Em poucos anos, os "citizens" tornam-se campeões ingleses e um dos conjuntos mais
temidos da Europa. A torneira abriu-se e a chegada de craques ao
Etihad Stadium não mais parou. Várias temporadas volvidas,
poder-se-ia pensar que as compras astronómicas continuariam a
suceder-se ou até que o clube entraria em colapso caso o seu dono
decidisse mudar de ideias. No entanto, um pormenor parece ter
escapado durante todo este tempo: no momento da compra, Sheikh
Mansour afirmou que estava a ser construída "uma estrutura para
o futuro, e não apenas uma equipa de estrelas".2 de dezembro de 2014
Rescaldos d'esféricos: Marco Silva no Sporting CP - Um trabalho discreto mas desbloqueador
Julho de 2014, mês em que o ex-técnico do GD Estoril Praia iniciou oficialmente a sua função como treinador do
Sporting CP. Cinco meses passaram desde então e, apesar dos
resultados não serem os mais satisfatórios (sexto lugar no campeonato, após
uma série de empates consentidos em casa e uma derrota inapelável diante do
Vitória SC), é indesmentível que o Sporting procura praticar um futebol mais atrativo e atrevido. Largado o pragmatismo advogado
por Leonardo Jardim e concentrando a sua dinâmica na posse de bola, sem
desprezar o valor dos seus flancos, especialmente com os préstimos de Nani, o
Sporting CP vem evoluindo a olhos vistos (dois triunfos na UEFA Champions League e
prosseguimento nas competições europeias assegurado). Apresenta igualmente uma margem de progressão que requer algum tempo para que determinados pormenores sejam afinados.15 de novembro de 2014
Barça Babes
Norte de
Inglaterra, início da década de noventa. Pela mão do mítico Alex Ferguson, surge no
Manchester United FC uma fornada de jogadores com qualidade acima da média e
vontade de escrever páginas douradas na história do clube. Com a paciência e a
confiança do técnico escocês, os 'Fergie Babes', como ficaram conhecidos,
conquistarm o seu espaço no plantel dos red devils e marcaram uma era no
futebol europeu. A ascensão, entre 1990 e 1994, de Ryan Giggs, Gary Neville,
Nicky Butt, David Beckham, Paul Scholes e Phil Neville tornou-se assim num
feito que durante anos se pensou irrepetível.30 de outubro de 2014
Futebol Global 2014/15: Irreverência vitoriana bem alicerçada (análise de 15 a 28 de outubro)
Reflexão: Referir a bela cidade de Guimarães, o berço de Portugal, é também constatar a garra e a paixão que justamente eleva a exigente massa associativa vitoriana a um patamar diferente da maioiria dos clubes da sua dimensão. Após oito jornadas volvidas na Liga Portuguesa, o percurso do Vitória SC constitui indubitavelmente uma das maiores surpresas. Ou, se preferir, uma afirmação convincente do plano estratégico montado pela administração de Júlio Mendes desde março de 2012 (momento em que sucedeu a Emílio Macedo da Silva no cargo de presidente) para enfrentar a maior crise económica da história do clube minhoto. Sufocado por esta, o Vitória SC teve de tomar uma decisão que pode servir de espelho para o futuro de muitos outros clubes no atual cenário do futebol português. Inevitavelmente os últimos anos do conjunto minhoto ficam naturalmente marcados pela inédita conquista da Taça de Portugal (em maio de 2013 frente ao SL Benfica) e consequente entrada na fase de grupos da UEFA Europa League. No entanto, é impossível dissociar estes feitos de um nome que progressivamente vai ganhando mais mediatismo no panorama futebolístico nacional. Rescaldos d'esféricos: Olympique Lyonnais - Um viveiro de jovens tecnicamente dotados a voos altos destinados
Terceiro lugar na atual edição da Ligue 1, a cinco pontos do líder, após inferir a este a sua primeira derrota. O primeiro heptacampeão na história das competições oficiais francesas. Refiro-me, claro está, ao Olympique Lyonnais. Outrora munido com Grégory Coupet, Cris, Caçapa, Juninho Pernambucano, Sylvain Wiltord e, juntando a estes pupilos, pérolas da formação como Karim Benzema, Bafétimbi Gomis ou Sidney Govou. Hoje despojado de argumentos de valia tão declarada mas competindo contra uma corrente de fortes investimentos de concorrentes diretos como PSG e na passada época do AS Monaco FC, apostando na sua frutífera formação para dotar o seu plantel de soluções financeiramente saudáveis e de crescimento acompanhado.
Com mudança de estádio prevista para a próxima época, do velhinho e nostálgico Stade de Gerland para o moderno e renovador Stade des Lumières ou OL Land, o paradigma de formação deste clube com pergaminhos neste século vem ganhando força esta época, através da estratégia de Hubert Fournier. O ex-técnico do Stade de Reims apostou num 4-4-2 em losango, potenciando a mescla de juventude e de experiência de algumas figuras já consolidadas do clube, como o médio francês e eterna promessa do futebol gaulês Yoann Gourcuff, o centrocampista Steed Malbranque e o central Milan Bisevac. Contratando somente o antigo lateral direito do PSG e agora titular indiscutível Christophe Jallet e o defesa central e vinte e dois anos Lindsay Rose, construiu uma máquina fiável de futebol que, já afastada da UEFA Europa League, embalou numa série de sete encontros sem perder. Como elementos-chave, o Olympique Lyonnais conta com o português Anthony Lopes, que vem consolidando o posto de guardião de presente e futuro do clube; o lateral-esquerdo Henri Bedimo, seguro tanto a defender como possante e expedito no ataque; o médio Arnold Mvuemba, especialista em definir os ritmos da partida, encontrar linhas de passe viáveis e com uma arguta visão de jogo; e produtos da formação, começando pelo centrocampista versátil Clément Grenier, que pode atuar igualmente no flanco como atrás do ponta de lança, e passando pelo central Samuel Umtiti, pelos médios Jordan Ferri, Correntin Tolisso e Nabil Fekir e pelo dianteiro matador Alexandre Lacazette (oito golos em dez jogos).
Com uma política bem assente na aposta de jovens provenientes das camadas jovens do clube, o Olympique Lyonnais dispensa apresentações no seu país e adquiriu um estatuto de respeito após o rendimento registado nas competições internacionais nos últimos anos. Porém, agora destaca-se pela resposta positiva dada ao alerta despertado pela crise económica que se abateu e alastrou por toda a Europa, chegando ao desporto rei e obrigando os clubes a apertar o cinto e a desvendar estratégias de sucesso com poucos recursos económicos. A aposta na formação é uma das mais viáveis e é neste contexto que clubes como o Lyon se veem destacando, com um trabalho que começa desde os infantis, acompanhando o crescimento das suas pérolas até alcançar um lugar de destaque na primeira equipa e rendendo, no futuro, uns bons milhões a outras equipas com mais poderio financeiro. Sendo um processo cíclico, o surgimento de jovens talentosos origina receitas crescentes e faz ver pelo mundo fora.
Artigo escrito por: Lucas Brandão
Imagens: www.skysports.com / melty.fr
29 de outubro de 2014
Liga Portuguesa 2014/15 (8ª jornada): Maior equilíbrio, a primeira derrota encarnada e uma demonstração de força de FC Porto e Sporting CP
FC Arouca vs FC Porto (0-5)
Juan Fernando Quintero 24’, Jackson Martínez 26’ e 60’, Casemiro 39’ e Vincent Aboubakar 87’
Vitória tranquila do FC Porto em Arouca. Lopetegui fez menos alterações do que é habitual (“castigou” apenas Maicon pelas últimas exibições e apostou em Marcano, trazendo de novo Martins Indi, Alex Sandro e Brahimi para o "onze"), sendo que os azuis e brancos não tiveram grande dificuldade em levar de vencido um frágil conjunto arouquense. A equipa de Pedro Emanuel até entrou bem na partida (bloco alto, equipa a pressionar e sem deixar o FC Porto jogar) e Fabiano evitou aos 10’ o golo de André Claro, num lance iniciado após erro de Marcano na saída de bola. A partir daí, só deu FC Porto. Os "dragões" começaram a ter um maior controlo da posse de bola e facilmente entravam no último terço de terreno. Aos 24’, Quintero (Lopetegui parece querer apostar forte no colombiano nesta fase) teve espaço fora da área e não desperdiçou (a bola raspa ainda num defesa arouquense). O Arouca praticamente nem teve tempo para reagir e logo de seguida Jackson aumentou a contagem, num lance onde Brahimi fez o que quis da defesa contrária. Os visitados não conseguiam sair do seu meio-campo defensivo e, num canto, Casemiro fixou o resultado ao intervalo em 3-0. Na segunda parte Pedro Emanuel lançou Roberto, mas apesar de alguma reação da equipa caseira, o jogou não mudou de toada. Aos 61’, “Cha Cha Cha” bisou, numa jogada onde foi visível os estragos que Tello pode fazer com a sua velocidade e, após alguns falhanços (Herrera desperdiçou alguns lances e Quintero atirou à barra), o FC Porto estabeleceu o resultado final em 5-0 (passe de Quaresma, lançado na etapa complementar, e golo de Aboubakar). Destaque para as exibições de Quintero (o criativo colombiano dá outro tipo de soluções ao meio-campo ofensivo dos dragões, sendo que Lopetegui parece querer aproveitar o bom momento de forma do “Maradoninha”), Jackson Martínez (eficaz como de costume e muito forte a jogar de costas para a baliza), Fabiano (resolveu quando foi chamado) e Brahimi (crucial naqueles quinze minutos diabólicos dos nortenhos). Quaresma entrou bem na partida (uma assistência) e Aboubakar voltou a faturar (sabe que é muito difícil roubar o lugar a Jackson, mas é importante que vá tendo oportunidades e, se possível, vá marcando para manter os índices motivacionais em alta). Do outro lado, o FC Arouca entrou bem, mas revelou-se muito tenrinho perante um oponente com tantas armas ofensivas de qualidade. A ausência de um '6' foi notória nesta partida (jogar apenas com Bruno Amaro e David Simão na ajuda à defesa é curto), sendo que os laterais sofreram bastante com os alas contrários e os centrais foram facilmente batidos nos cruzamentos. Roberto ainda agitou, mas, de facto, pouco haveria a fazer perante um FC Porto tão forte e com tanto talento individual.
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