Depois de uma
temporada em que predominou o fracasso e que será, para sempre, recordada como
a pior da história do clube, antevia-se uma época modesta, de restruturação e
de um crescimento que permitisse sonhar com a glória nacional, nos próximos
anos. Contudo, um conjunto de jovens talentos, um presidente inteligente e,
sobretudo, um fantástico treinador, que tornou um simples desconhecido como era
William Carvalho num médio defensivo de classe mundial, catapultaram as
ambições do clube para patamares, até há bem pouco tempo atrás, irrealistas.Com as contas do título praticamente fechadas, é hora de fazer previsões quanto às batalhas que se avizinham. Será o Sporting campeão em 2014/15? Conseguirão os leões quebrar o domínio dos arquirrivais Benfica e Porto? Estas são algumas das perguntas que mais dão que falar na atualidade do futebol nacional. Obviamente, todo e qualquer adepto leonino sonha com grandes feitos e grande parte deles considera que tais êxitos caminham a passos largos para a realidade. No entanto, toda esta questão tem de ser analisada sob um ponto de vista racional.
Tendo em conta o atual plantel e a
sua média de idades, é indiscutível que há em Alvalade potencial para atingir o
topo. Para isso, pede-se estabilidade, tanto no topo da hierarquia, como na
composição da equipa. Se a permanência de Bruno de Carvalho e de Leonardo
Jardim é um dado quase adquirido, o mesmo não se pode dizer da continuidade de
alguns jogadores no clube lisboeta. William Carvalho, peça chave na manobra dos
verdes e brancos, é hoje um dos atletas mais cobiçados do futebol europeu, pelo
que a sua transferência para um campeonato mais competitivo é cada vez mais
certa. Seguem-se futebolistas como Marcos Rojo, Rui Patrício ou Carlos Mané,
que têm sido recorrentemente associados a outros clubes. E há ainda nomes como
Adrien Silva ou Cédric Soares, que, ocasionalmente, protagonizam rumores de
mercado.
Colocado este cenário e sabendo-se
as dificuldades financeiras atuais, muito dificilmente o conjunto orientado
pelo técnico madeirense permanecerá intacto e a crescer como os sportinguistas
esperam. Para suprir as futuras lacunas, a aposta continuará a recair na
formação e nos bons valores da Liga Zon Sagres, o que, porventura, será
insuficiente. Dada a capacidade do Porto e, principalmente, do Benfica, clue
cuja evolução não dá sinais de abrandamento, só a permanência dos principais
craques seria capaz de roubar o protagonismo que águias e dragões detêm.
Este Sporting arrisca-se a tornar
num clube semelhante ao Ajax. Apesar dos campeonatos conquistados nos últimos
anos, a média de idades dos holandeses é cada vez mais baixa, devido à venda
progressivamente mais precoce dos maiores talentos, e a qualidade da equipa
fica demonstrada nos palcos europeus. Não fosse a incapacidade dos rivais e os
pupilos de Frank de Boer não contariam nas suas vitrinas com as últimas edições
da Eredivisie. A diferença entre estes dois casos é que, em Portugal, há
competência no outro lado da barricada...Dito isto, resta-nos apenas esperar para conferir o que vai suceder. O sucesso, ou não do clube de Alvalade dependerá da capacidade negocial de BdC, capacidade essa que ficou à vista no último Verão com as vendas de Bruma e Tiago Ilori, por quase vinte milhões de euros. Do relvado, os adeptos podem sempre esperar um futebol atrativo. Não se pode é pedir a Leonardo Jardim que, para além de transformar bronze em ouro, converta latão em diamante...
Artigo escrito por: José Dias
Imagens: futebolportugal.clix.pt / record.xl.pt / voetbalcentraal.nl / publico.pt
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